Histórias em movimento

Livro reúne relatos de taxistas com histórias inusitadas que eles viveram com passageiras da cidade

iG Minas Gerais | Natália Oliveira |

Pelo retrovisor, eles vão ouvindo e colecionando histórias. O banco do passageiro às vezes parece mais um divã de analista, os protagonistas vêm de todo o canto, de todas as classes sociais. Circulando por Belo Horizonte durante as 24 horas do dia, os taxistas são os autores pulsantes da série de histórias que deram origem ao livro: “Táxi, a Cidade em Movimento".

A obra reúne histórias curiosas, às vezes banais, do cotidiano do belo-horizontino. Mostra, através das narrativas desses acontecimentos, as transformações físicas e sociais da cidade. Escrito como projeto de conclusão de curso de alunos do curso de jornalismo do Centro Universitário UNA em 2011, o livro ainda não foi impresso, mas os autores pretendem publicá-lo.

Para quem acha que pegar um táxi se resume em falar o destino, percorrer um itinerário pré-determinado, pagar e descer, o livro mostra que uma simples corrida pode render muitos casos. “Quando se tem mais de uma pessoa em um carro em movimento, uma cidade em movimento e objetivos, tudo pode acontecer”, considera o jornalista e um dos autores da obra, João Marcelo Siqueira, 24.

Contando um pouco da história dos taxistas, o livro acaba também registrando um pouco da história de Belo Horizonte. “Um taxista que roda a cidade constantemente e tem a obrigação de conhecê-la, facilmente aponta mudanças causadas pela modernização, crescimento da população, relembra fatos que já se passaram naquele local, lida com emoções e nota o caminho natural que a vida segue. A memória deles é constantemente alterada junto com a cidade que vai crescendo e se modificando”, destaca Siqueira.

Dentre os relatos, alguns engraçados, outros surpreendentes e alguns até um pouco tristes, são os dos taxistas que trabalham a noite os que mais continham fatos inusitados. Eles contaram alguns casos mais picantes, que envolviam relacionamentos com as passageiras, mas também alguns mais tensos, relacionados à falta de segurança. De acordo com Siqueira, o difícil era fazer os taxistas se abrirem e contarem essas histórias. Mais acostumados com o papel de "entrevistador" do que o de personagem, os profissionais ficavam bastante receosos em contar o que já passaram. Mesmo assim, com o tempo, eles iam se soltando e  pouco a pouco iam contando as histórias para os autores.

Algumas das narrativas tinham muita coisa em comum. “Alguns taxistas nos contaram o mesmo caso da loira rica. Uma mulher muito bonita e loira, que pegava táxi durante a noite, depois pedia para os taxistas a deixarem dentro da garagem de casa, onde fechava o portão e aparecia só de lingerie, oferecendo para pagar a corrida com favores sexuais”, conta o autor

Outras histórias também foram registradas em pequenos contos, que condizem com o formato do livro. O trabalho durou seis meses, foram 50 profissionais entrevistados e os relatos transformados em 60 contos. As histórias têm caráter informativo, próprio do jornalismo, mas são escritos de forma mais literária. São cinco autores. Cada um deles ficou responsável por transpor um grupo de histórias para o livro. A obra não chegou a ser publicada, mas os jornalistas ainda estão a procura de editoras para publicar e divulgar o trabalho.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave