Dilma não pode ignorar pedidos de mudança, diz jornal

Os protestos populares do ano passado e a recente reação dos mercados financeiros mostram que, apesar de a presidente liderar as pesquisas, parte do eleitorado quer mudança

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

O jornal britânico Financial Times publicou editorial nesta quinta-feira (2) com críticas ao discurso da candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT), de que pretende continuar com as mesmas políticas em um eventual segundo mandato. Para o jornal, os protestos populares do ano passado e a recente reação dos mercados financeiros mostram que, apesar de a presidente liderar as pesquisas, parte do eleitorado quer mudança. No editorial, o jornal defende que "Dilma não pode ignorar" essas vozes.

Com o título "Eleições no Brasil oscilam entre a esperança e o medo", o FT destaca que a candidata à reeleição voltou a ganhar vantagem nas últimas pesquisas eleitorais. Essa reação, diz o jornal, é resultado de "uma melhor organização, mais tempo de televisão e uma campanha 'anti-Marina'", diz. "Como a atual ocupante do cargo, sua principal plataforma é a continuidade - embora a ponto de teimosia", afirma o editorial.

O FT cita essa suposta teimosia com o argumento de que Dilma se recusa a aceitar a culpa pela economia mais lenta e que, em eventual segundo mandato, já sinalizou que não deve rever suas políticas. "Isso acalma a base eleitoral entre os pobres", diz o texto. Como contraponto, o texto lembra da insatisfação popular vista há um ano. "Protestos de rua em massa foram mais uma sinal da necessidade de mudança. A continuidade não é mais suficiente" diz o FT.

O FT avalia que Dilma Rousseff e Marina Silva devem se enfrentar no segundo turno no fim do mês. O tempo igual de televisão poderia permitir à candidata do PSB reduzir a vantagem de Dilma, mas a presidente que tenta a reeleição é a favorita, diz o jornal. "Aconteça o que acontecer, no entanto, a ascensão de Marina Silva agitou o Brasil. Para ter um segundo mandato bem-sucedido, Dilma não pode ignorar o que os mercados e milhões de brasileiros querem: mudança", diz o editorial.

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