Usuário pagará R$ 26,5 bi que governo emprestou às elétricas

Prejuízos com secas e preço da energia vão anular já em 2015 esforço para reduzir conta em 20%

iG Minas Gerais |

Risco. Hidrelétrica de Furnas vem sofrendo baixa em seu volume de água desde o ano passado, o que forçou o acionamento de térmicas
RODRIGO LIMA / NITRO.
Risco. Hidrelétrica de Furnas vem sofrendo baixa em seu volume de água desde o ano passado, o que forçou o acionamento de térmicas

Rio de Janeiro. O empréstimo bancário de R$ 17,8 bilhões tomado pelo governo para socorrer as distribuidoras de energia – cujos gastos subiram por conta da falta de chuvas, que secou os reservatórios das hidrelétricas de todo o país – vai custar R$ 26,6 bilhões aos consumidores. A informação está em um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) ao qual o portal de notícias “G1” teve acesso.  

A diferença de R$ 8,8 bilhões, aponta o documento do TCU, se refere aos custos bancários da operação, ou seja, aos juros, que também serão pagos pelos consumidores. Pela regra definida pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o empréstimo será repassado às contas de luz dos brasileiros entre 2015 e 2017.

Consultorias apontaram que as tarifas médias de energia em todo em todo o país podem aumentar entre 20% e 30% apenas no ano que vem, por conta dessa fatura. Segundo o relatório do TCU, no primeiro ano serão repassados às contas de luz R$ 5,9 bilhões. Em 2016 serão R$ 13,3 bilhões e, em 2017, outros R$ 7,4 bilhões, totalizando os R$ 26,6 bilhões. O empréstimo será pago em 34 parcelas.

Essa operação financeira faz parte de um plano anunciado pelo governo em março, em meio a uma crise no setor elétrico provocada pela disparada no custo da energia no Brasil. O dinheiro veio socorrer as distribuidoras, que alegavam não ter recursos para fazer frente aos gastos extras bilionários. Eles vieram por conta da estiagem, que obrigou o ligamento das térmicas, que produzem energia mais cara e pelo preço da energia no mercado à vista, outra consequência da estiagem.

TCU classificou como “assombrosas” as cifras relativas ao fundo setorial que banca o programa de redução da conta de luz. A área técnica do órgão calculou que as despesas da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) chegarão a R$ 61 bilhões entre 2012 e o fim deste ano, como consequência da Medida Provisória 579 de 2012, que mudou o marco regulatório do setor.

Segundo o órgão, até o fim de 2015, o desconto médio de 20% na conta de luz estará anulado por conta dos repasses para o consumidor dos custos extras das companhias. Esse rombo bilionário será repassado em reajuste para o consumidor. O empréstimo de 17,8 bilhões, com juros, vem para sanar parte desse rombo.

Por que elas precisam de ajuda? Cemig R$ 740,9 milhões (lucro líquido) Light R$ 15,3 milhões (lucro líquido) Eletropaulo R$ 354,4 milhões (prejuízo líquido) Copel R$ R$ 248,3 milhões (lucro líquido) CPFL R$ R$ 164,6 milhões (lucro líquido) *No segundo trimestre de 2014

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