Termina a ocupação do edifício-sede da Petrobras, no Rio

A desocupação só foi possível porque, segundo o presidente do sindicato, foi marcada uma reunião entre o diretor de Serviços da Petrobras

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

A ocupação do lobby do edifício-sede da Petrobras, no centro do Rio, por cerca de 80 aposentados da estatal, terminou às 17h30 desta quarta-feira (1º). A informação foi confirmada à reportagem pelo diretor da FNP (Federação Nacional dos Petroleiros) e presidente do Sindipetro de São José dos Campos (SP), José Ademir da Silva.

A desocupação só foi possível porque, segundo Silva, foi marcada uma reunião entre o diretor de Serviços da Petrobras, José Eduardo Dutra, responsável pelo setor de recursos humanos da empresa, para o próximo dia 7. Até às 18h, a Petrobras ainda não havia se pronunciado oficialmente sobre a reunião.

Durante a tarde desta quarta (1º), houve um impasse, no qual ocupantes diziam que só deixariam o local com uma reunião marcada, com data e hora, com a diretoria da estatal que, por sua vez, disse que só abriria negociações depois de o prédio desocupado.

A ocupação durou pouco mais de 24 horas. Os aposentados passaram a noite na sede da empresa para reivindicar mudança no acordo salarial proposto pela estatal e o fim de um regime diferenciado de reajustes para inativos e ativos. Os inativos têm reajustes com base na inflação oficial do ano, enquanto ativos receberiam percentual superior.

Chegada 

Os funcionários aposentados invadiram, por volta das 15h desta terça (30), a área do lobby e chegaram a passar pelas catracas que dão acesso aos elevadores. A ideia seria ir até o andar da diretoria e falar diretamente com Graça Foster, mas foram impedidos no caminho por seguranças. Os manifestantes não puderam entrar com colchonetes para acampar no local, mas mesmo assim passaram a noite na sede da Petrobras.

"Só deixamos o prédio com uma reunião marcada, com data, hora e local com a diretoria", disse à reportagem o diretor da FNP e presidente do Sindipetro de São José dos Campos (SP), José Ademir da Silva, um dos ocupantes, na manhã desta quarta (1º). O portão principal do edifício-sede da empresa no Rio, localizado na avenida Chile, no centro, esteve fechado ao público.

A entrada de funcionários e visitantes era feita por uma porta lateral do prédio. A reportagem não recebeu permissão para entrar e acompanhar o processo de negociação. Do lado de fora, cerca de dez petroleiros, com faixas do Sindipetro-RJ, davam apoio à ocupação. O clima era de tranquilidade.

Silva afirmou que a federação que, segundo ele, representa cerca de metade dos trabalhadores da companhia, aposentados e da ativa, apresentou uma pauta de reivindicações no início de setembro e não foi atendida. A empresa tem cerca de 38 mil aposentados e pensionistas, de acordo com a FNP.

A Petrobras possui, em todo o país, cerca de 60 mil funcionários concursados na ativa. O número de terceirizados, empregados não concursados, chega a perto de de 300 mil. "Deveriam tratar com mais respeito os aposentados da Petrobras, muitos dos quais ajudaram a criar essa companhia tão importante para o país e que hoje têm um regime de reajuste inferior do que os ativos", disse o diretor da FNP.

Racha e pleito 

A invasão marca um racha no movimento sindical dos petroleiros sobre a proposta de reajuste da Petrobras. A divisão ocorre porque a maioria dos funcionários da ativa e inativa da estatal são ligados à Federação Única dos Petroleiros (FUP), que já aprovou o acordo salarial deste ano proposto pela empresa (9,71% de reajuste). Os aposentados não têm direito a esse percentual e seu salário é corrigido apenas pela inflação do período (6,51%).

Já os sindicatos ligados à FNP (Federação Nacional dos Petroleiros), que conta com menos filiados, ainda quer negociar um aumento superior ao oferecido pela estatal (9,71%) para os trabalhadores atuais da companhia.

Dirigentes da FNP dizem que a FUP fechou o acordo com a Petrobras para não prejudicar a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT).

"Nós dedicamos 30 a 40 anos da nossa vida para construir esse império e não compartilhamos com essa situação de subornos e corrupção na empresa. A Graça tem uma direita. Construiu sua carreira, mas é manipulada pelo PT", disse Alealdo Hilário, diretor da FNP.

A FNP tem cinco sindicatos, cujo o principal é o do dos petroleiros do Rio de Janeiro, e se alinha ao PSTU. A FUP, ligada à CUT e ao PT, conta com 13 sindicatos.

Objetivo

Segundo a FPN, o objetivo é obter o compromisso de Foster a pressionar a Petros a voltar a conceder o mesmo reajuste dos funcionários da ativa -inclusive um aumento retroativo de 12% que não dado entre 2004 e 2006, além dos bônus pagos aos atuais funcionários da estatal.

Em nota, a Petrobras disse que "apresentou sua última proposta para o Acordo Coletivo de Trabalho 2014 no dia 24" e que ela "está sendo aprovada nas unidades da companhia." Sobre a manifestação, a estatal afirmou que a área de Recursos Humanos da companhia, responsável pelas negociações trabalhistas, "já se colocou à disposição para recebê-los.

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