Suspeito de participar de aborto se entrega, mas não é preso

O falso médico Carlos Augusto Graça de Oliveira não pode ser preso em razão da lei eleitoral, que determina que cinco dias antes das eleições e 48 horas após o pleito não são permitidas prisões

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

O falso médico Carlos Augusto Graça de Oliveira, suspeito de ter envolvimento com o desaparecimento e morte da auxiliar administrativa Jandira Magdalena dos Santos Cruz no fim do mês passado, se entregou na tarde desta quarta-feira (1) em uma delegacia da zona oeste do Rio.

Ele, contudo, não pode ser preso em razão da lei eleitoral, que determina que cinco dias antes das eleições e 48 horas após o pleito não são permitidas prisões, salvo em casos de flagrante delito ou em virtude de sentença judicial condenatória por crime inafiançável. A lei 4.737 é de 1965 e a restrição está valendo desde a última terça.

Jandira foi dada como desaparecida no último dia 26 após ter ido fazer um aborto em uma clínica clandestina na zona oeste do Rio. Na semana passada, o corpo da jovem de 27 anos foi encontrado carbonizado em um carro, no bairro de Pedra de Guaratiba, zona oeste.

Jandira estaria grávida de três meses. O corpo da jovem, mãe de duas meninas, foi sepultado no último domingo (28). Duas pessoas suspeitas de integrar a quadrilha, Rosemere Aparecida Ferreira e seu ex-marido, o policial civil Edilson dos Santos, já foram presas. A reportagem não conseguiu contato com o advogado de Carlos Augusto Graça de Oliveira, nem dos demais suspeitos presos.

Caso Elizângela

A morte de duas jovens no estado do Rio em setembro em razão de aborto em clínicas clandestinas esquentou o debate sobre legalização ou não do procedimento no país. Elizângela Barbosa, 32, teve o mesmo destino da auxiliar administrativa, ao tentar interromper uma gravidez em uma clínica clandestina em Niterói, região metropolitana do Rio.

Grávida de cinco meses, ela morreu em uma clínica clandestina no último dia 20, em Niterói. Nesta terça-feira (30), uma terceira suspeita de envolvimento no aborto de Elizângela foi presa após se entregar na Divisão de Homicídios de Niterói. Segundo a polícia, Sheila Cristina Silva Teixeira, 37, terá que cumprir prisão temporária de 30 dias pelos crimes de homicídio doloso e formação de quadrilha.

Nesta terça, também foram presos a mãe de Sheila Teixeira, Lígia Maria Silva, apontada como autora do crime e líder do esquema de abortos clandestinos, e Rildo José Medeiros dos Santos, auxiliar de enfermeiro suspeito de levar Elizângela até a casa de Lígia, que realizava abortos havia pelos menos 16 anos, de acordo com a polícia. Ela se entregou na delegacia e ele foi preso no município de Maricá, região dos Lagos. A reportagem procurou os advogados dos suspeitos presos, mas eles não foram localizados.

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