Líder estudantil dá ultimato para renúncia do governo em Hong Kong

Milhares de manifestantes pró-democracia, principalmente estudantes e integrantes do movimento Occupy Central, tomaram as ruas de Hong Kong nesta quarta-feira

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Um líder estudantil dos protestos em Hong Kong deu um ultimato para que o chefe do governo local, Leung Chun-ying, renuncie até quinta-feira (2) ou as manifestações crescerão.

"Isso significa ocupar diferentes prédios do governo", disse Lester Shum, da Federação de Estudantes de Hong Kong.

Milhares de manifestantes pró-democracia, principalmente estudantes e integrantes do movimento Occupy Central, tomaram as ruas de Hong Kong nesta quarta-feira (1º), no feriado do Dia Nacional.

O objetivo dos manifestantes tem sido ocupar partes da cidade, inclusive ao redor do distrito financeiro, no centro, para pedir por democracia.

Muitos temiam que a polícia usasse a força para expulsar a multidão antes do início das comemorações do aniversário da fundação da República Popular da China, pelo Partido Comunista, em 1949. Porém, não houve confrontos.

Desde domingo, as manifestações ganharam força na cidade, o que provocou a maior crise política desde que a ex-colônia britânica foi devolvida à China, em 1997.

Os manifestantes exigem que Pequim suspenda as restrições às eleições em Hong Kong, um território que usufrui de mais liberdades políticas que o restante do país.

Hoje, o chefe do Executivo local é escolhido por um comitê formado por pessoas leais a Pequim. O atual chefe, Leung Chun-ying, foi eleito em 2012 com 689 votos de um total de apenas 1.200 eleitores.

Em 2007, o Congresso chinês definiu que, na eleição de 2017, o líder de Hong Kong seria escolhido por sufrágio universal –uma pessoa, um voto.

Em agosto deste ano, porém, Pequim anunciou que, apesar do sufrágio universal, somente os candidatos aprovados por um comitê do governo chinês poderão concorrer.

Cerimônia

Na manhã desta quarta, quando as bandeiras da China e de Hong Kong fora hasteadas na praça Golden Bauhinia, no bairro central de Wanchai, os gritos dos manifestantes foram ouvidos.

Depois, os ativistas vaiaram a passagem de dois helicópteros que exibiam uma grande bandeira da China e outra, menor, de Hong Kong.

Leung Chun-ying não citou de maneira direta o movimento pró-democracia no discurso que pronunciou ao fim da cerimônia, mas apelou a uma cooperação com a China.

"O desenvolvimento de Hong Kong e e da China estão estreitamente vinculados. Devemos trabalhar juntos para que o sonho chinês se torne realidade", afirmou Leung.

O governante também conselhou os cidadãos a aceitarem as regras eleitorais. "É melhor ter um sufrágio universal do que não tê-lo", disse.

Apoio internacional

O apoio internacional ao movimento pró-democracia em Hong Kong cresceu nos últimos dias. No Facebook, um grupo denominado "Unidos pela Democracia: Solidariedade Global com Hong Kong" afirma planejar atos da Austrália aos Estados Unidos.

Na Nova Zelândia, quase 300 pessoas se reuniram na capital Auckland para apoiar os ativistas de Hong Kong, enquanto em Taiwan também estão previstas manifestações de solidariedade.

O governo dos Estados Unidos informou que o assunto de Hong Kong será abordado nesta quarta-feira em um encontro em Washington entre o secretário de Estado, John Kerry, e o chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi.

A Casa Branca pediu moderação às autoridades de Hong Kong depois que uma petição com mais de 200 mil assinaturas no site da Casa Branca pressionou por uma posição pró-manifestantes.

O sul-africano Desmond Tutu, prêmio Nobel da Paz, expressou apoio aos manifestantes de Hong Kong, ao elogiar a coragem do movimento.

Detenções

Um grupo de defesa dos direitos humanos denunciou que vários ativistas foram detidos na China por expressar apoio às manifestações em Hong Kong.

"Vários cidadãos chineses sofreram represálias por expressar apoio às mobilizações de Hong Kong", denunciou o grupo China Human Rights Defenders (CHRD, Defensores dos Direitos Humanos na China).

A Anistia Internacional (AI) citou 20 detenções e 60 convocações para interrogatórios.

O número de posts censurados na rede social Weibo -uma espécie de Twitter- aumentou consideravelmente após o início das manifestações em Hong Kong.

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