Redes sociais exibem drama da automutilação entre jovens

Adolescentes postam imagens e contam na internet suas histórias chocantes de autopunição

iG Minas Gerais | Litza Mattos |

Jogo do desmaio. França registra cerca de dez mortes por ano
Reprodução / YouTube
Jogo do desmaio. França registra cerca de dez mortes por ano

Cortar o próprio corpo ou provocar o desmaio de forma proposital. Situações de alto risco para a saúde que têm se tornado uma prática popular entre os adolescentes, e que ganham espaço nas redes sociais.

No Brasil, a “brincadeira (ou jogo) do desmaio” – que consiste em provocar a perda da consciência ao realizar uma pressão no peito sempre com a ajuda de outros colegas –, já foi registrada em alguns colégios do Paraná, Sergipe, Brasília e Rio de Janeiro.

No entanto, essa não é uma prática nova, mas que vem se disseminando com mais frequência devido às facilidades da internet. Na França, pais das vítimas desse “jogo” criaram uma associação que vem registrando em média dez mortes por ano desde 2000. Nos Estados Unidos, os Centros para Controle e Prevenção de Doenças identificaram pelo menos 82 mortes de crianças e adolescentes de 1995 a 2007 – 87% das vítimas eram do sexo masculino.

O presidente do Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinep-MG), Emiro Barbini, desconhece registros da prática e diz que ainda não recebeu nenhum relato sobre o assunto em Belo Horizonte. Ele admite preocupação, pois “o que acontece em outros Estados chega a Minas Gerais, e vice-versa”.

“A escola sempre foi um ambiente com algumas brincadeiras de mau gosto. Temos que ficar atentos às mídias sociais por causa da agilidade na disseminação das informações para, com isso, fazermos a prevenção”, diz.

Automutilação. Diagnosticada com transtorno de ansiedade generalizada, a designer gráfica mineira Jordana Andrade, 21, conta que começou a fazer cortes na pele por se cobrar demais, por exemplo, em relação às notas na escola.

“Eu me cortava nos braços e pernas com gilete e estilete, mas não tinha uma situação específica que causava isso, era o sentimento de decepção comigo mesma. Tem uma definição que diz ser muito mais fácil controlar a dor física do que a dor psicológica”, afirma.

A automutilação tem atingido principalmente meninas de 13 a 17 anos, e, apesar de o problema estar sempre ligado a algum tipo de transtorno psiquiátrico, Jordana diz que já viu blogs e redes sociais ensinando “o que fazer e como fazer”. Esse alerta também foi feito por alguns psiquiatras que já tratam o tema como “epidemia”.

Para a psicóloga Tânia Maria Magalhães, essa atitude representa os “novos sintomas da maneira como as pessoas têm se relacionado com as dificuldades e angústias deste século”.

“Os tratamentos são difíceis, pois tudo é novidade. Os pais devem observar se a movimentação na vida dos filhos, como roupas, alimentação e o aspecto social, mudou”, alerta.

A doença

Documento. A automutilação ficou sob avaliação no último Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais para ser tratada como um transtorno isolado, apesar de associada a outras síndromes, como Borderline.

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