Franz Ferdinand toca no Rio

Banda escocesa volta ao Brasil com a turnê de seu mais recente trabalho, “Right Thoughts, Right Words, Right Action”

iG Minas Gerais |

Paixão. Quarteto, que se apresenta amanhã no Rio, ressalta a ótima relação com os fãs brasileiros
Owen Sweeney
Paixão. Quarteto, que se apresenta amanhã no Rio, ressalta a ótima relação com os fãs brasileiros

Rio de Janeiro. Alex Kapranos não bebeu, mas chegou ao Brasil ainda um pouco de ressaca. O cantor e guitarrista do grupo escocês Franz Ferdinand – que se apresenta no Rio amanhã, na turnê de divulgação do álbum “Right Thoughts, Right Words, Right Action”, de 2013 – foi um dos mais ativos artistas a participar da frustrada campanha em favor da independência da Escócia em relação ao Reino Unido em recente plebiscito.

Kapranos e seus companheiros de banda – Nick McCarthy (guitarrista), Bob Hardy (baixo) e Paul Thomson (bateria) – chegaram a participar de um show-manifesto em Edimburgo, poucos antes da votação, junto de grupos como Mogwai e Deacon Blue, no qual o músico defendeu ardentemente o “sim”. Depois que o resultado saiu, com a vitória do “não”, ele lamentou, via Twitter: “Bem, não foi desta vez”.

“Fui bastante sintético ali, até porque era o Twitter com seus 140 caracteres, mas a verdade é que fiquei imensamente decepcionado. Sinto o amargo da derrota até agora na boca, como se fosse uma longa ressaca”, confessa Kapranos, falando por telefone de Montevidéu, no Uruguai, dias antes de viajar para o Brasil. “E veja a ironia, estou hospedado perto de um lugar chamado Praça da Independência. Inevitavelmente, penso na luta de tantos países, como o Uruguai e o Brasil, pela sua liberdade. Acreditei que era a hora de nós, escoceses, termos a nossa independência e virarmos um país de fato, mas não foi isso o que a maioria decidiu. É da democracia. Mas ao menos isso serviu para um debate em alto nível, inclusive no lado cultural. Acredito que algo de bom vai sair dessa discussão, que permitiu que, ao menos, nos conhecêssemos melhor”.

Quem quiser conhecer o Franz Ferdinand melhor deve ouvir o recém-lançado “Late Night Tales – Franz Ferdinand”. O disco traz o grupo para dentro da renomada série – que já teve edições com Air, Groove Armada, The Flaming Lips, Sly & Robbie, MGMT e Arctic Monkeys – na qual artistas escolhem algumas das suas músicas favoritas e fazem um mix com clima de “fim de noite”. “Essa parte do mix ficou por conta de Paul, que é o único bom DJ na banda”, explica Kapranos.

Brasil. A boa relação do Franz Ferdinand com o país que deu água na boca do seu frontman vem desde 2006, quando o grupo esteve aqui pela primeira vez e fez um memorável show num Circo Voador abarrotado.

“Não me canso de repetir que aquele foi, sem média alguma, possivelmente o melhor show de nossas vidas. Vivo, desde então, na dúvida se somos a mais carioca das bandas escocesas ou se o Rio é a mais escocesa das cidades brasileiras”, brinca Kapranos.

Na sétima visita ao país do Franz Ferdinand – cujo homônimo disco de estreia está completando uma década –, Kapranos garante que vai se colocar no lugar do público e imaginar o que ele gostaria de ouvir no show que o traz de volta à cidade após quatro anos.

“Se fosse eu na plateia, adoraria ouvir boa parte do novo disco e pular com alguns sucessos”, diz ele.

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