Apesar da vantagem de Dilma, sucessão permanece indefinida

iG Minas Gerais |

DUKE
undefined

Entramos na reta final para o primeiro turno das eleições presidenciais. Algumas tendências parecem definidas, apesar da volatilidade. Vale lembrar que os candidatos Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) cresceram nas pesquisas em setembro e que Marina Silva (PSB) perdeu intenções de voto. Caso ainda faltassem duas ou três semanas para o primeiro turno, Dilma poderia se consolidar sem necessidade de segundo turno; ou Aécio poderia tomar o segundo lugar de Marina. No fim das contas, as vantagens estruturais das campanhas de Dilma e de Aécio poderiam fazer a diferença contra a de Marina. O embalo da candidata do PSB – iniciado a partir da morte de Eduardo Campos – só perdeu vigor nos últimos dez dias, porém, com intensidade insuficiente para retirá-la do segundo turno. Marina demonstra admirável resistência para manter-se competitiva, mesmo com pouco mais de dois minutos de televisão contra mais de 17 dos adversários! Levando em conta o momento da campanha, Dilma retomou a sua condição original de favorita, já que seus ataques a Marina têm devastado o desempenho da candidata entre a classe C, assegurando uma melhora nas intenções de voto de Dilma em colégios eleitorais importantes. É o que informa o Datafolha divulgado nesse fim de semana. Porém, o fato de Dilma voltar a ser favorita não é grande coisa. O segundo turno está em aberto, e as vantagens estruturais de Dilma vão deixar de ser tão relevantes. Marina, que faz uma campanha anêmica de recursos e de tempo de televisão, terá mais espaço para a torcida das forças antipetistas e oposicionistas do país. Ao confirmar sua presença no segundo turno, também aumentarão as doações para sua campanha e o empenho de seu eleitorado. Na esperança de que, de repente, “vai que dá?!”. Outro fato relevante é que Dilma teve de esquentar muito a campanha com acusações pesadas contra Marina. Em setembro, tal estratégia funcionou, mas despertou a ira de muitos que estavam pouco interessados no debate. No segundo turno, as acusações podem atingir o limite tanto da paciência do eleitor quanto da existência de novos argumentos fortes que possam atingir a candidata do PSB. E ainda podem levar a uma maior adesão de aecistas a Marina, pois campanhas negativas tendem a ter efeitos colaterais relevantes. No limite, o que pode definir a eleição é, em primeiro lugar, o destino da maioria dos votos de Aécio; e, em segundo lugar, o destino da maioria dos votos dos indecisos. Outro fator importantíssimo será o índice de rejeição. Dilma e João Santana batem em Marina não apenas para desidratá-la no primeiro turno, mas já de olho no segundo turno, para aumentar a rejeição a ela. Sabem que no primeiro turno o eleitor vota em seu candidato preferido, enquanto no segundo turno ele vota no “menos pior”. Marina terá dez minutos para reverter a alta rejeição criada pelo PT e para consolidar e aumentar a rejeição a Dilma. Hoje Dilma leva uma pequena vantagem sobre Marina. Segundo o Datafolha, a presidente venceria sua oponente por 47% a 43%. No mês de setembro, Dilma reverteu a tendência adversa que apresentava. Transformou os sete pontos de desvantagem (48% a 41% em favor de Marina) em uma vantagem de quatro pontos. De acordo com o instituto, Marina venceria Dilma no Sudeste (50% a 39%) e no Centro-Oeste (52% a 39%), mas perderia no Sul (47% a 39%), no Nordeste (59% a 33%) e no Norte (56% a 36%). Apesar da vantagem momentânea da presidente, a sucessão presidencial está indefinida.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave