“Homeland” volta sob expectativas

Morte do protagonista na temporada passada abre dúvidas sobre a trama

iG Minas Gerais | Isis Mota |

Sina. A Carrie Mathison de Claire Danes tem que lidar com a morte do amado, o bebê não planejado e espionagem no Oriente Médio
Didier Baverel
Sina. A Carrie Mathison de Claire Danes tem que lidar com a morte do amado, o bebê não planejado e espionagem no Oriente Médio

Quando uma série dura oito, dez anos, os personagens se vão, os atores mudam, e o programa sobrevive bem porque é basicamente um drama de procedimento, o famoso “procedural”, em que o mais importante é o caso do dia, a história da vez. Foi assim com “Plantão Médico”, “CSI” e “Criminal Minds”, para citar só alguns. Mas pode uma série sobreviver sem seu protagonista, quando ela é a história de sua vida? “Homeland” quer provar que sim. 

A série norte-americana baseada na israelense “Hatufim” foi espetacular nas três primeiras temporadas. Mas a quarta, que estreia nos Estados Unidos neste domingo, dia 5, tem o desafio de se manter minimamente bem sem o fio condutor que trouxe o telespectador até aqui: Nicholas Brody (Damian Lewis), fuzileiro norte-americano capturado pela Al-Qaeda.

Dado como morto, ele é resgatado oito anos depois e volta para casa como herói. Encontra a mulher namorando seu melhor amigo, e os filhos adolescentes nem se lembram dele. E pior: a agente da CIA Carrie Mathison (Claire Danes) se convence de que ele é terrorista, após uma fonte lhe contar que  um prisioneiro havia debandado para o inimigo.

O espectador passou três temporadas seguindo o jogo de gato e rato entre Brody, convertido ao Islã, e Carrie, desacreditada na CIA não só pelo fato de achar que o herói nacional é terrorista, mas porque ela sofre de um transtorno psíquico. Sem mencionar o fato de que os dois se apaixonam.

Aí vem o X da questão: na terceira temporada, Brody morreu. Converse com qualquer fã e verá que (quase) todo mundo ficou esperando, nos episódios seguintes, aquela hora em que o herói aparece de novo e fica claro que foi tudo uma pegadinha do roteiro. Só que não. Ele morreu. O ator, cuja interpretação de Brody lhe valeu um Emmy e um Globo de Ouro, já estaria até de contrato assinado para estrelar outra série.

Não era bem assim. Depois de três anos nos encantando com um torturado Nicholas Brody, os produtores querem nos convencer de que a coisa toda não era sobre ele. Matar o herói permitiu a “Homeland” dar um “reset” e finalmente se espelhar na história original, disse o cocriador Alex Gansa. “Nossa intenção original para a segunda temporada era levar Carrie Mathison para outro continente e vê-la fazer o que ela foi treinada para fazer, que é ser agente em território estrangeiro. E é isso que ela está fazendo”. Só que com atraso.

Ele jura que a série era para ser, desde sempre, a história da agente da CIA trabalhando em campo, e que Brody era personagem de uma temporada só. Damian Lewis deu tão certo que a série tomou uma tangente, bem distante do que ele e o colega Howard Gordon tinham visualizado. Ok, a gente finge que acredita. Será que matar um personagem crucial depois de três anos pode mesmo ser o melhor para um programa? Por mais que Claire Danes esteja espetacular como a perturbada Carrie, será que sua estrela solitária consegue segurar os telespectadores? A julgar pelos dois minutos de trailer embalados pela voz de Lorde, ela tem chance.

Rumores

Será? Damian Lewis, o falecido Nicholas Brody, foi visto no set de “Homeland” na África do Sul. Fãs foram à loucura com a chance de ele “ressuscitar”, mas o mais provável é que apareça somente em flashbacks.

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