Com deficits e superavits menores, desequilíbrio entre países cai

Essa foi a principal conclusão de estudo divulgado nesta terça (30) pelo FMI (Fundo Monetário Internacional), que avalia que o risco de crises sistêmicas causadas por esse desequilíbrio foi também reduzido

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

O desequilíbrio entre países com alto deficit de conta corrente e os com alto superavit foi reduzido em mais de um terço desde 2006. O maior desequilíbrio global -o deficit nos EUA e os superavits de China e Japão- foi reduzido à metade.

Essa foi a principal conclusão de estudo divulgado nesta terça (30) pelo FMI (Fundo Monetário Internacional), que avalia que o risco de crises sistêmicas causadas por esse desequilíbrio foi também reduzido.

Nos anos que precederam a crise de 2008, os desequilíbrios revelavam excessiva poupança em alguns países, crescentes deficits públicos em outros, distorções provocadas por políticas cambiais. Contração da demanda nos países deficitários e um ajuste cambial entre EUA e China facilitaram o recalibramento.

Entre 2006 e 2013, o deficit das 10 maiores economias deficitárias caiu de 2,3% a 1,2% do PIB global. Os superávits das 10 maiores economias superavitárias caiu de 2,1% a 1,5% do PIB global.

O deficit americano foi reduzido à metade em dólares e em quase 2/3 em relação ao PIB mundial. As economias europeias com maior deficit (Grécia, Itália, Polônia, Portugal e Espanha) tiveram, juntas, um pequeno superavit em 2013.

Países emergentes como Brasil, Índia, Indonésia, México e Turquia, alguns que tinham superavit, acabaram entrando no ranking dos 10 maiores deficits no mundo (o Brasil ficou em terceiro no ranking do FMI, apenas atras de EUA e Reino Unido).

Os maiores superávits do mundo estão com Alemanha, China, Arábia Saudita, Suíça e Holanda.

A concentração dos deficits foi reduzida. Os cinco maiores deficits do mundo em 2006 contabilizavam 80% do deficit global; em 2013, os cinco maiores têm 65% do (reduzido) deficit.

Já o superavit chinês foi reduzido quase à metade no período em relação ao PIB global e foi superado pela Alemanha. O Japão, que estava em terceiro lugar em 2006, não entra nem entre os 10 maiores superavits do ano passado.

Equilíbrio duradouro

A redução do desequilíbrio deve ser duradouro, segundo o estudo, porque as projeções da demanda doméstica nas economias deficitárias apontam para tendências bem abaixo do nível pré-crise.

Mas o relatório sugere que medidas para aprofundar esse reequilíbrio global continuam a ser uma prioridade. Reduzir a vulnerabilidade externa dos países credores requer crescimento econômico mais robusto e melhores balanços de contas correntes.

Em outro texto divulgado pelo FMI, os economistas do organismo sugerem que o momento é ideal para um empurrão nos investimentos em infraestrutura. Para eles, o crédito está barato e a demanda fraca nos países desenvolvidos e há gargalos em países em desenvolvimento que prejudicam o crescimento a curto e longo prazos. O Brasil é citado como exemplo de país prejudicado por deficiências na infraestrutura.

O relatório diz que o aumento no investimento público deveria apoiar a demanda no curto prazo e ajudaria a ampliar a produção a longo prazo.  

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