“Campanha é das mais duras”

Marina Silva sobre em palanque em Pernambuco ao lado de viúva e de filhos de Eduardo Campos

iG Minas Gerais |

Simbolismo. Marina Silva fez campanha ontem em Pernambuco, terra de Eduardo Campos, onde há empate técnico com Dilma Rousseff
ADEMAR FILHO
Simbolismo. Marina Silva fez campanha ontem em Pernambuco, terra de Eduardo Campos, onde há empate técnico com Dilma Rousseff

Recife. A candidata à Presidência Marina Silva (PSB) voltou a Pernambuco nesta segunda e, ao lado de parentes do ex-governador Eduardo Campos – morto em um acidente aéreo no dia 13 de agosto –, disse enfrentar “uma das campanhas mais duras desse país”. “Nós estamos enfrentando uma das campanhas mais duras desse país. É a primeira vez que tem uma violência tão feroz como essa que tem sido lançada contra nós”, afirmou Marina em comício em Caruaru, no agreste do Estado.  

Segundo o Datafolha, Marina vem perdendo terreno em Pernambuco. De 45% das preferências na segunda semana de setembro, passou a 40% na semana passada. Já a presidente Dilma Rousseff (PT) avançou de 38% a 42% das intenções de voto no Estado no período, e Aécio Neves (PSDB) oscilou de 2% para 4%.

A ex-primeira-dama de Pernambuco Renata Campos, viúva do ex-governador, e os três filhos mais velhos do casal – Maria Eduarda, 22, João, 20, e Pedro, 18 – dividiram o palanque com Marina. O ato teve várias referências a Campos, em imagens e músicas que marcaram a trajetória do ex-governador.

A Polícia Militar estimou o público em 12 mil pessoas. Houve um coro de “fora, Dilma” no início do comício, em que Marina voltou a criticar os principais rivais – Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) – pela ausência de um programa de governo consolidado.

“Dilma disse que ia continuar fazendo as mesmas coisas. Fazer a mesma coisa é deixar a Petrobras desse jeito? É deixar a inflação voltar? É esse crescimento pífio?”, questionou.

A candidata voltou a dizer que oferecerá “a outra face” diante de ataques e se comparou à situação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na campanha de 1989. “O que eu nunca pensei que fosse acontecer é que o PT e a Dilma iriam recorrer ao mesmo expediente para combater a mim, ao Beto e ao Paulo”, disse, em referência ao seu candidato a vice, Beto Albuquerque (PSB), e ao candidato do PSB ao governo de Pernambuco, Paulo Câmara.

Conflito. A passagem de Marina pelo Estado também foi marcada por intensa disputa velada entre integrantes do diretório de Pernambuco e o comando nacional do PSB. A origem da briga está na busca por espaços e escolha dos novos integrantes da Executiva Nacional da legenda que comandará o partido pelos próximos três anos. Com pedido de Renata Campos, a eleição interna prevista para nesta segunda foi adiada.

Segundo turno

Ataques. A campanha acredita que, em um segundo turno contra Dilma, Marina deverá atacar ainda mais a presidente, estratégia que pode servir de motivo para a aproximar outros partidos.

Articulador Papel. O candidato a vice-presidente de Marina, Beto Albuquerque, terá um papel importante na formação de alianças para o segundo turno. Em São Paulo, deve se aproximar de Alckmin para garantir apoio do governador. Sul. Albuquerque deverá fazer o mesmo no Rio Grande do Sul, onde a senadora Ana Amélia (PP), rejeitada por Marina no início da montagem dos palanques estaduais, pode sair vencedora. “O segundo turno é o período da disputa eleitoral propriamente dita. Nosso limite de entendimento para alianças no segundo turno é nosso programa de governo”, disse.

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