Se não chover, berço do Velho Chico decretará emergência

Propriedades rurais que se abasteciam das nascentes, agora secas, recebem caminhões-pipa

iG Minas Gerais | ludmila pizarro |

Desolação. Fiscal do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) observa local de nascente do São Francisco
FLÁVIO TAVARES
Desolação. Fiscal do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) observa local de nascente do São Francisco

A falta de chuva em Minas Gerais pode fazer a cidade de São Roque de Minas, na região da serra da Canastra, decretar estado de emergência. “Se não chover até quarta-feira (amanhã), o município vai decretar estado de emergência”, declara o secretário de Meio Ambiente e Turismo, André Picardi.

Segundo o secretário, as propriedades rurais próximas da cidade estão sem água porque eram abastecidas por nascentes que estão secas. “Na cidade não existe problema porque temos duas fontes de captação – uma superficial e um poço artesiano. O problema são as propriedades rurais que se abasteciam das nascentes. Já temos pelo menos quatro propriedades sendo atendidas por caminhões de água. Vamos decretar estado de emergência porque vamos precisar de recursos para atender outras”, explicou. José Rezende Magalhães, proprietário da pousada Fazenda Passaredo, em São José do Barreiro, distrito de São Roque de Minas, diz que muitos fazendeiros estão sem água, e alternativas estão sendo adotadas. “Um vizinho está bombeando água de um riacho, e outro transferiu seu gado para outro lugar, para que ele não morresse de sede. Alguns estão saindo de charrete para buscar água em outras propriedades”, conta o empresário. Sem Turista. São Roque de Minas também enfrenta o sumiço dos turistas. De acordo com André Picardi, o turismo representa 30% da renda da cidade, e pelo menos 40% dos turistas estão interessados em conhecer o Parque Nacional da Serra da Canastra. “Com o parque fechado desde o dia 20, o número de turistas caiu, na semana passada, pelo menos 60% em relação ao mesmo período de 2013”, analisa. “Como as informações da seca estão sendo veiculadas pela imprensa, o movimento caiu muito. Estamos com aproximadamente metade do movimento que tivemos no mesmo período no ano passado”, relata o empresário José Rezende Magalhães. Ele reitera que só não está pior porque em São José do Barreiro ainda há uma entrada para o parque aberta. “Outra atração que temos é a cachoeira Casca D’Anta, que tem 186 m de queda, e, mesmo com menos água, ainda é chamativa”, acrescenta Magalhães. A situação, segundo Picardi não atinge apenas os municípios do entorno do Parque Nacional da Serra da Canastra. Ele afirma que em várias cidades, como Pains e Lagoa da Prata, o turismo também está sendo afetado. “As regiões do lago de Furnas e da bacia do rio Grande também estão sentindo o impacto da seca, não é só aqui”. Na semana passada, o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBRSF) reuniu-se e decidiu pedir às autoridades a redução da vazão da usina de Três Marias.

Até 80% do parque da Serra da Canastra pode ter queimado Uma das consequências mais danosas da seca para o Parque Nacional da Serra da Canastra são as queimadas. Dados da administração do parque mostravam que em julho deste ano cerca de 40% de sua extensão já havia sido atingida. Essa porcentagem pode ter dobrado. “Ainda não temos a informação oficial, mas pelo o que eu conheço do parque, 70% a 80% dele já foi atingido pelo fogo”, lamentou o secretário de Meio Ambiente e Turismo de São Roque de Minas, André Picardi. “Queimou o parque quase todo. Eu, que cheguei há três anos, e meus vizinhos, que estão na região há mais tempo, nunca vimos nada parecido”, concorda José Magalhães, proprietário da pousada Fazenda Passaredo.

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