“Comecei como artista e acabei tecnólogo”

Biz Stone 40 anos, cofundador do Twitter Frequentou curso superior na Northeastern University e na Universidade de Massachusetts, mas não se formou em nenhuma das duas É Investidor-anjo e conselheiro na comunidade de star-tups

iG Minas Gerais |

Ryan Anson/AP – 16.10.2012
undefined

Um dos fundadores do Twitter, do qual saiu em 2011, Biz Stone critica a ascensão social seletiva no paraíso da tecnologia. Ele está lançando no Brasil o livro de memórias “Um Passarinho Me Contou”.

Muita gente se queixa de que o Vale do Silício é um motor de exclusão social, que ajuda a concentrar riqueza nas mãos de poucas pessoas. Como avalia essa crítica?

Cresci em um lar chefiado por uma mãe solteira e comecei a trabalhar aos 8 anos para ajudar a pagar as contas. Mas cresci em uma comunidade rica, porque os pais adotivos da minha mãe deixaram a casa deles de herança para ela. Então, eu era o pobre no meio dos ricos. Isso me fez querer construir uma vida diferente para mim, me motivou. Mas isso não é uma verdade para todos. Com certeza, a concentração de riqueza no Vale do Silício está gerando muitas críticas. O que me preocupa é que parece que, num momento de crescimento, todo mundo pode ascender, não apenas alguns. Não há solução simples para esse problema, mas há uma solução, e trabalho nos bastidores para isso com algumas organizações.

O senhor diz que gostaria de redefinir o capitalismo. Qual é sua proposta?

O valor no capitalismo foi historicamente definido apenas em termos financeiros. Vejo o valor de forma diferente. Então, proponho uma nova definição para sucesso no capitalismo que inclui três ingredientes. O ingrediente tradicional, o sucesso financeiro, e mais dois: impacto positivo no mundo e prazer no trabalho. Minha definição é considerada um sonho. Mas, se a gente não sonhar com essa nova definição, ela nunca vai se tornar verdade.

Para muitos jovens, o Vale do Silício é como uma Terra Prometida. Mas há vários relatos de trapaças e egos inflados. O que aprendeu trabalhando no Google e como cofundador do Twitter?

O que mais gosto de dizer é que dez anos de trabalho duro e muita sorte vão fazer você parecer um sucesso da noite para o dia. Isso é um fato sobre o Vale do Silício. Mas não houve traição na história do Twitter, houve muita troca de papéis conforme a empresa foi de um projeto divertido para o de uma empresa real. Minha abordagem é sempre assumir que os meus colegas de trabalho são inteligentes e têm boas intenções. Sou sempre legal, essa é a minha arma secreta. Quando uma start-up atinge uma fase de alto crescimento, há muita mudança – algumas pessoas lidam bem com isso, outras lutam contra a mudança. Você precisa ser flexível em uma star-tup de crescimento rápido ou você quebra.

Dizem que o senhor não se envolvia nas disputas do Twitter e que sempre preferia rir das situações. Já se sentiu como um peixe fora d’água no Vale?

Comecei como um artista e acabei me tornando um tecnólogo. Meu ponto de vista sempre foi o de um artista. Tendo a ver as coisas de maneira diferente, mais abstrata. Nunca me senti de fato como um cara do Vale do Silício. Na verdade, não vivo no Vale do Silício, moro no norte de São Francisco, fora da cidade. Mas ser um forasteiro não me deixou desconfortável. Acho que foi um ganho para mim.

Qual é o futuro do Twitter? É uma ferramenta de longo prazo?

O Twitter é uma empresa de valor duradouro e vai resistir ao teste do tempo. Há a concepção errada de que o Twitter é uma rede social, mas não é. O Twitter é para compartilhar e adquirir informação rápida e facilmente. Esse tem sido o pilar de quase todas as indústrias bem-sucedidas desde que a Revolução Industrial começou. Esse é um valor de longa data do Twitter.

Ainda se sente ligado ao Twitter?

Ainda estou emocionalmente ligado a ele. Não fico orgulhoso do Twitter como um triunfo técnico, mas sim com o que as pessoas de todo o mundo conseguiram por meio dele.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave