‘Brasileiro’ ligado ao Estado Islâmico é julgado na Bélgica

Grupo que seria o responsável por recrutar jovens para o combate é alvo de “megaprocesso”

iG Minas Gerais | Da Redação |

Jihadista. Brian De Mulder é acusado de participar de atividades de uma organização terrorista belga
reprodução Het Belang van Limburg
Jihadista. Brian De Mulder é acusado de participar de atividades de uma organização terrorista belga

O nome do belga de origem brasileira Brian De Mulder, 21, é um dos 46 que constam na lista de acusados do que vem sendo chamado de “megaprocesso da jihad” na Justiça da Bélgica, que começou a julgar nesta segunda um grupo acusado de doutrinar jovens e recrutá-los para participar da guerra na Síria. Mulder, que nasceu no país europeu, é filho da brasileira Rosana Rodrigues, nascida no Rio de Janeiro, e está desde janeiro do ano passado em território sírio onde se uniu aos militantes do grupo Estado Islâmico (EI).  

O julgamento, que teve início nesta segunda, está previsto para acabar nesta terça e acontece no Palácio da Justiça da Antuérpia, segunda maior cidade do país. Apenas oito dos acusados estavam presentes no primeiro dia de júri, conforme a BBC Brasil. Os demais continuam na Síria ou morreram. “Este é o maior processo por terrorismo já realizado na Bélgica”, disse Veerle De Vries, porta-voz da polícia de Antuérpia.

O que une os 46 acusados é a ligação com a organização extremista Sharia4Belgium. O grupo é considerado pelas autoridades locais a principal maneira que os belgas interessados em lutar nas fileiras do EI possuem para chegar até a Síria. Ele vem sendo investigado desde 2012, quando diversos pais começaram a fazer alertas sobre o grande número de jovens que estava deixando o país para ir combater no Iraque e na Síria.

Colaboração. Considerado a peça central da acusação, Jejoen Bontinck, 19, esteve presente no julgamento do qual é um dos réus. Ele voltou à Bélgica no ano passado, depois de oito meses lutando ao lado dos extremistas na Síria.

Após ser detido e interrogado pela polícia federal belga, o jovem disse que era vítima da Sharia4Belgium. Bontinck alegou que foi sequestrado por seus antigos companheiros de luta quando decidiu abandonar o conflito sírio. Ele ainda forneceu várias informações sobre o recrutamento e encaminhamento de estrangeiros às fileiras jihadistas.

Acusações. O principal réu no processo é Fouad Belkacem, 32, líder e antigo porta-voz da organização, detido em Bruxelas desde abril do ano passado acusado de incitação ao ódio. Ele e outros 15 suspeitos podem ser condenados a até 15 anos de prisão e perder a cidadania belga sob a alegação de comandarem um grupo responsável por recrutar jovens e submetê-los a “doutrinamento religioso e ideológico”.

Outros réus

Penas. Os demais réus, entre eles Bontinck e De Mulder, são acusados de participar de atividades de uma organização terrorista e estão sujeitos a penas de até cinco anos de prisão. Contra De Mulder pesa ainda o fato de ele ser acusado de publicar ameaças de ataques terroristas à Bélgica, ao ministro da Defesa, Pieter De Crem, e ao líder político holandês Geert Wilders.

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