Alberto Mussa apresenta ficção inspirada em crime e mitologia

Escritor carioca lança o quinto romance “A Primeira História do Mundo” no evento Sempre Um Papo

iG Minas Gerais | Carlos Andrei Siquara |


Alberto Mussa lança olhar para a condição da mulher em ficção
Tom‡s Rangel
Alberto Mussa lança olhar para a condição da mulher em ficção

Em seu mais novo romance “A Primeira História do Mundo”, Alberto Mussa chega à proposta de criar cinco romances policiais ambientadas em épocas diferentes. O fundo histórico da ficção desta vez é o século XVI e tem como mote um episódio que marca o primeiro crime registrado no vilarejo que deu origem ao Rio de Janeiro. O autor comenta o processo de criação dessa narrativa hoje à noite, na Sala Juvenal Dias do Palácio das Artes, à convite do projeto Sempre Um Papo.

Ele conta que motivou a criação da trama não apenas o assassinato do serralheiro Francisco da Costa, mas especialmente a mitologia em torno da figura das amazonas. De acordo com Mussa, ao pesquisar a história da morte de Costa, que teria sido alvo de um crime passional, envolvendo sua ex-mulher, Jerônima Rodrigues, ele notou semelhanças entre a vida dela e daquelas personagens míticas.

“Uma coisa que sempre me atraiu muito são as mitologias. O mito das amazonas é um clássico grego que encontra afinidades com outras histórias, como algumas indígenas, que relatam o cotidiano de mulheres guerreiras. Quando comecei a pesquisa do meu novo livro me deparei com essa história de Francisco e Jerônima, encontrando, assim, semelhanças entre os fatos históricos e mitológicos”, diz Alberto Mussa.

O ponto de contato entre a tragédia envolvendo o casal e o mito das amazonas o escritor atribui ao contexto das relações entre homens e mulheres nos dois cenários que são costurados por ele.

“A morte de Fernando da Costa é provocada pela disputa por sua mulher, que era uma das poucas num local de origem militar, onde predominavam os homens. A história das amazonas é permeada também por uma briga dos homens pelas mulheres, o que me permitiu fazer essa conexão”, acrescenta Mussa.

O cenário de opressão e violência serve como pano de fundo para a ficção que, embora gravita em torno do gênero policial, dispensa a figura do investigador. “É o narrador que cumpre esse papel ao juntar as peças desse caso. Enquanto acompanhamos uma história protagonizada por homens, há outra, que corre por trás e dá conta da vida daquelas mulheres”, conclui.

Agenda

O quê. Sempre Um Papo com Alberto Mussa

Quando. Hoje, às 19h30

Onde. Sala Juvenal Dias do Palácio das Artes (av. Afonso Pena, 1.537, centro)

Quanto. Entrada franca

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