Apenas 15% separam o lixo

Lei prevê multa para quem tem serviço seletivo na porta e não participa, mas falta fiscalização

iG Minas Gerais | Joana Suarez |

Garis recolhem o lixo seco (recicláveis) em ruas da capital
FERNANDA CARVALHO
Garis recolhem o lixo seco (recicláveis) em ruas da capital

Apenas 15% dos moradores de Belo Horizonte que contam com o serviço de coleta seletiva na porta de casa separam o lixo reciclável para ser recolhido uma vez por semana pelo caminhão da prefeitura. A baixa adesão ocorre mesmo a legislação municipal prevendo multa diária de R$ 143 para os moradores de bairros do programa porta a porta que não fazem a separação. A estimativa é da própria Superintendência de Limpeza Urbana (SLU), que promete investir em campanhas educativas com o intuito de elevar esse percentual.

“Implantamos o programa pensando em uma adesão de 20%, e hoje deve ter 15%, mas quem participa contribui mesmo”, explicou a chefe do departamento de Programas Especiais da SLU, Aurora Pederzoli. A Secretaria Municipal Adjunta de Fiscalização informou que nenhuma multa foi aplicada até o momento – a lei é de 2012. Segundo Aurora, apesar de haver a legislação, há uma lacuna na fiscalização, que piorou quando todos os setores (como limpeza urbana e Código de Posturas) passaram a ser fiscalizados de forma integrada. A coleta seletiva foi implantada há sete anos na capital e hoje atinge apenas 34 bairros – 7% do total. No início, a participação era por adesão, depois, com a Lei 10.534/12, ela se tornou obrigatória. Além da falta de interesse de alguns, muitos não sabem que dispõem do serviço. Acompanhamento. Na última semana, a reportagem de O TEMPO acompanhou o caminhão da coleta seletiva percorrendo os bairros Buritis, Santa Lúcia e Olhos d’Água. Mesmo sendo uma segunda-feira, quando, geralmente, o acúmulo de lixo reciclável (como garrafas PET e vidros) é maior, vários imóveis não tinham nenhuma sacola na porta. “Muitas casas não participam desde que comecei a trabalhar com isso. Em alguns bairros, como o Santo Antônio, a gente recolhe mais. Se dá para reaproveitar, vamos reaproveitar, né?”, afirmou Adelson Rocha, 44, motorista do caminhão da coleta seletiva há dois anos. No que depender da dona de casa Maria Thereza Ramos, 59, o lixo reciclável será sempre maior que o orgânico. Ela participa desde o início da coleta seletiva e se orgulha da quantidade de lixo que recicla. Segundo o motorista do caminhão, alguns moradores têm dúvida quando vê dois veículos da SLU no bairro em dias diferentes. “Aí a gente explica que o nosso é só para lixo que pode ser reciclado. A tendência tinha que ser diminuir a outra coleta (de rejeitos) e aumentar essa. Mas não é o que acontece”. A chefe da SLU destaca que quando são feitas divulgações, as pessoas aderem em peso, mas foram feitas poucas porque era preciso estruturar melhor a reciclagem antes de ampliá-la. “Agora que as cooperativas de catadores estão mais capacitadas a receber o material, vamos incrementar as campanhas”, disse Aurora. Ontem, a edição de O TEMPO mostrou que em Itaúna, na região Central do Estado, onde a coleta seletiva é feita pelos próprios catadores, a participação da comunidade chega a 70%. Belo Horizonte vai implantar um projeto piloto semelhante no próximo ano.

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