Risco de racionamento hoje é de 12%

Chuva no período de novembro a abril vai determinar ou não que medida seja adotada em 2015

iG Minas Gerais |

Ameaça. Com a falta de chuva e os reservatórios das hidrelétricas vazios, o risco de apagão cresceu
Daniel de Cerqueira/O Tempo
Ameaça. Com a falta de chuva e os reservatórios das hidrelétricas vazios, o risco de apagão cresceu

SÃO PAULO. O volume de chuvas no chamado período úmido, entre novembro e abril, determinará a necessidade de ser implementado ou não um racionamento de energia no Brasil a partir do mês de maio de 2015. Estimativas da consultoria especializada PSR sugerem que, se o volume de chuvas nesse intervalo ficar em 80% da média de longo termo (MLT), o risco de racionamento atinge 35%. Atualmente, esse risco está em torno de 12%.

“Depende de como será o período úmido. Se o período úmido vier mais seco, esses 12% aumentam e podem chegar a 35%. Se vier mais úmido, a gente supera o risco de ser decretado o racionamento”, projeta a sócia da PSR, Priscila Lino. “Mas isso não quer dizer que os problemas estejam resolvidos, porque os reservatórios ainda precisarão de um tempo para se recuperarem”, complementou a especialista, que participou nesta segunda do 2º Encontro Nacional de Consumidores Livres, que foi promovido pelo Grupo Canal Energia, em São Paulo (SP).

Cenário desfavorável. O número de 80% da MLT, explica Priscila, leva em consideração o cenário mais seco das simulações feitas pela consultoria para o período úmido. “Como precisamos nos precaver contra uma incerteza, o ideal é fazer projeção para um cenário mais adverso”, justificou a sócia da consultoria PSR.

Portanto, o racionamento no Brasil, nesse cenário mais desfavorável, poderia ser adotado já a partir de maio de 2015, com o início do chamado período seco.

Entre os problemas a serem superados pelo setor em um cenário mais adverso está principalmente o preço da energia.

Cálculos da consultoria PSR sugeriam que o custo da energia no Brasil teria um acréscimo médio de 25% já em 2015, conforme foi noticiado pela Agência Estado na semana passada.

Esse número poderia subir a 28% após a decisão do governo de congelar o repasse de R$ 4 bilhões à Conta de Desenvolvimento Energético (CDE).

Reajuste. Nesta segunda, diante de uma plateia formada por grandes consumidores de energia, especialistas e executivos do setor energético, a sócia da consultoria especializada PSR Priscila Lino enfatizou que a energia no Brasil sofrerá um acréscimo médio de R$ 50 por MWh em 2015 por causa dos custos altos do setor.

Eletrobras

Usina. O presidente da Eletrobras, José da Costa Carvalho, disse nesta segunda que o consórcio construtor da usina de Santo Antônio é responsável pelo atraso na antecipação das obras da hidrelétrica

Cálculo do custo da energia é bem complexo SÃO PAULO. O cálculo do custo da energia leva em consideração a necessidade de serem incorporados à tarifa os valores a serem praticados pelas distribuidoras de forma que essas empresas possam honrar os empréstimos bilionários concedidos por bancos ao setor neste ano, além de recursos referentes ao empréstimo ao Tesouro feito em 2013. Também há a incorporação de valores represados neste ano por descasamento de ajustes, pelo custo ainda não internalizado por algumas distribuidoras dos valores praticados no leilão A-0 de abril passado e pelo risco hidrológico associado às cotas de concessão prorrogadas. O cálculo não inclui, por outro lado, a estimativa com o beneficio da prorrogação das concessões – esse com impacto de queda nos preços.

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