Acusado de participar de morte de empresários é condenado a 3 anos

Sentença saiu após júri popular durante audiência desta segunda-feira (29) realizada no Fórum Lafayette

iG Minas Gerais | BRUNA CARMONA / CAMILA KIFER / GUSTAVO LAMEIRA |

O pastor Sidney Eduardo Benjamin, acusado de ter participado da morte de dois empresários em abril de 2010, no bairro Sion, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, foi condenado a 3 anos de reclusão em regime aberto por destruição, ocultação de cadáver e formação de quadrilha. O réu foi condenação por um júri popular durante audiência desta segunda-feira (29) realizada no Fórum Lafayette.

A sessão, presidida pelo juiz Alexandre Cardoso Bandeira, teve início pouco depois das 9h no 2º Tribunal do Júri. O conselho de sentença foi formado por quatro mulheres e três homens. Na parte da manhã, foram ouvidas quatro testemunhas de Defesa e, em seguida, o réu foi interrogado. No fim da audiência, foi a vez dos advogados de defesa serem ouvidos. 

O julgamento do advogado Luiz Astolfo Sales Bueno, que também teria envolvimento no crime, estava marcado para esta segunda, mas foi suspenso por uma liminar do Superior Tribunal de Justiça (STJ), até julgamento de recurso especial na corte.

As testemunhas disseram que o réu atuava como pastor e cantor, e que já tinha gravado três CDs. Ele teria conhecido Frederico Flores, condenado por ser o líder do bando responsável pelo crime, depois que o empresário se ofereceu para gerenciar a carreira do réu como cantor.

Durante o interrogatório, Benjamin disse que conviveu com Frederico Flores por 30 dias e ele o convenceu a sair do emprego neste período. Ele contou ainda que foi ameaçado pelo empresário quando fez perguntas relacionadas à faxina do apartamento onde o crime aconteceu. O réu encerrou sua fala dizendo que teria aberto mão de sua carreira como músico se soubesse que enfrentaria um processo como o que está enfrentando.

Debates

A fase de debates entre defesa e acusação começou às 11h30. O promotor José Geraldo de Oliveira afirmou que, apesar de não ter assassinado os empresários, Benjamin havia participado do crime.

Ele disse que nas organizações criminosas, muitas vezes, um membro não conhece o outro, mas cada um exerce uma função essencial e que o réu tinha função muito bem definida no grupo. Segundo o promotor, foi o réu que levou dinheiro e um bilhete para a esposa de um dos empresários que estava em cárcere privado. Oliveira destacou, ainda, que o réu tinha um carro a disposição para dar suporte à quadrilha, atuando como motorista, e que foi ele quem levou os restos mortais das vítimas para jogar no ribeirão Arrudas. Conforme a promotoria, acusado também confessou o sumiço de um saco preto com objetos.

O promotor disse que já havia atuação da quadrilha liderada por Flores e citou o caso do ex-delegado do Trabalho em Minas Gerais, Carlos Calazans, que foi vítima de extorsão por parte do empresário, que contou com ajuda de dois homens encapuzados na ocasião.

José Geraldo Oliveira encerrou sua fala pedindo a condenação de Benjamin, tendo em vista as provas, a gravidade dos fatos e o perigo que representa para a sociedade.

Defesa

A sessão do júri foi retomada por volta das 14h. A defesa do réu afirmou que Benjamin acreditava que Flores iria ajudá-lo a produzir seu CD de música gospel e que nenhum dos réus que havia confessado o crime citou a participação do pastor. Depois de ler trechos dos depoimentos de outros réus para explicar a ligação entre Benjamin e Frederico Flores, o advogado afirmou que os testemunhos são suficientes para excluir a participação de Benjamin no crime e absolvê-lo.

Ainda segundo o advogado, a descrição dos policiais no inquérito aponta que não obtiveram provas que Sidney soubesse do sequestro e execução doas vítimas do crime. A defesa frisou que relatório da Polícia aponta que os dedos e cabeças das vítimas forma desovados por outras pessoas. Para advogado não basta dizer que seu cliente concorreu para o crime, mas sim que tudo seja comprovado. Ele encerrou a fala pedindo a absolvição do réu.

Relembre

O empresário Frederico Flores foi condenado a 39 anos de reclusão em setembro de 2013, acusado de liderar o grupo responsável pela morte e mutilação de dois empresários, em abril de 2010. Segundo a denúncia do Ministério Público, Flores sequestrou, extorquiu e matou as vítimas com a ajuda de sete pessoas. Os crimes ocorreram em um apartamento alugado pelo líder do bando, depois que foram feitos saques e transferências das contas das vítimas.

Os corpos foram levados para a região de Nova Lima, onde foram parcialmente incendiados. Para dificultar a identificação das vítimas, os criminosos arrancaram os dedos e a cabeça dos homens.

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