Pastor acusado de participar de morte de empresários é julgado em BH

Sidney Eduardo Benjamin é acusado de fazer parte da quadrilha liderada pelo empresário Frederico Flores; ele responde pelos crimes de homicídio, cárcere privado, extorsão, ocultação de cadáver e formação de quadrilha

iG Minas Gerais | Bruna Carmona |

Um dos acusados de ter participado da morte de dois empresários em abril de 2010, no bairro Sion, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, está sendo julgado nesta segunda-feira (29), no Fórum Lafayette. Sidney Eduardo Benjamin, que é pastor, é acusado de duplo homicídio triplamente qualificado, cárcere privado, extorsão, ocultação de cadáver e formação de quadrilha. O julgamento do advogado Luiz Astolfo Sales Bueno, que também teria envolvimento no crime, estava marcado para esta segunda, mas foi suspenso por uma liminar do Superior Tribunal de Justiça (STJ), até julgamento de recurso especial na corte. 

A sessão, presidida pelo juiz Alexandre Cardoso Bandeira, teve início pouco depois das 9h no 2º Tribunal do Júri. O conselho de sentença é formado por quatro mulheres e três homens. Na parte da manhã, foram ouvidas quatro testemunhas de Defesa e, em seguida, o réu foi interrogado. 

As testemunhas disseram que o réu atuava como pastor e cantor, e que já tinha gravado três CDs. Ele teria conhecido Frederico Flores, condenado por ser o líder do bando responsável pelo crime, depois que o empresário se ofereceu para gerenciar a carreira do réu como cantor. 

Durante o interrogatório, Benjamin disse que conviveu com Frederico Flores por 30 dias e ele o convenceu a sair do emprego neste período. Ele contou ainda que foi ameaçado pelo empresário quando fez perguntas relacionadas à faxina do apartamento onde o crime aconteceu. O réu encerrou sua fala dizendo que teria aberto mão de sua carreira como músico se soubesse que enfrentaria um processo como o que está enfrentando.

Debates

A fase de debates entre defesa e acusação começou às 11h30. O promotor José Geraldo de Oliveira afirmou que, apesar de não ter assassinado os empresários, Benjamin havia participado do crime. 

Ele disse que nas organizações criminosas, muitas vezes, um membro não conhece o outro, mas cada um exerce uma função essencial e que o réu tinha função muito bem definida no grupo. Segundo o promotor, foi o réu que levou dinheiro e um bilhete para a esposa de um dos empresários que estava em cárcere privado. Oliveira destacou, ainda, que o réu tinha um carro a disposição para dar suporte à quadrilha e que foi ele quem levou os restos mortais das vítimas para jogar no ribeirão Arrudas.

Relembre

O empresário Frederico Flores foi condenado a 39 anos de reclusão em setembro de 2013, acusado de liderar o grupo responsável pela morte e mutilação de dois empresários, em abrild e 2010. Segundo a denúncia do Ministério Público, Flores sequestrou, extorquiu e matou as vítimas com a ajuda de sete pessoas. Os crimes ocorreram em um apartamento alugado pelo líder do bando, depois que foram feitos saques e transferências das contas das vítimas.

Os corpos foram levados para a região de Nova Lima, onde foram parcialmente incendiados. Para dificultar a identificação das vítimas, os criminosos arrancaram os dedos e a cabeça dos homens.

 

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