Novo presidente afegão deseja negociações de paz com Taleban

"Pedimos aos opositores, e mais especificamente ao Taleban e ao Hezb-e-Islami, o início de conversações políticas", afirmou Ashraf Ghani depois de assumir o cargo de presidente

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Ashraf Ghani, 65, assumiu nesta segunda-feira (29) como novo presidente do Afeganistão e defendeu o início de conversações de paz com o conjunto dos insurgentes islamitas, incluindo o Taleban, com o objetivo de estabilizar o país após a saída das tropas da Otan no fim do ano.

"Pedimos aos opositores, e mais especificamente ao Taleban e ao Hezb-e-Islami, o início de conversações políticas", afirmou Ghani depois de assumir o cargo de presidente.

Ghani, ex-ministro das Finanças e ex-funcionário do Banco Mundial, sucede Hamid Karzai, no poder desde que a invasão liderada pelos Estados Unidos derrubou os talebans no final de 2001.

A posse de Ghani é a primeira transição democrática na história do Afeganistão.

"Nós solicitamos a todos os aldeãos que peçam a paz. Pedimos a todos os eruditos muçulmanos que aconselhem os talebans e, se eles não escutarem seus conselhos, deveriam cortar todas as relações".

Karzai também havia feito diversos apelos para que os insurgentes islamitas negociassem a paz, mas os extremistas nunca aceitaram, pois consideravam o chefe de Estado uma "marionete" de Washington.

Os talebans, que chamaram recentemente Ghani de "funcionário" dos Estados Unidos, cometeram um atentado suicida nesta segunda-feira, durante a cerimônia de posse presidencial, matando quatro pessoas.

O homem-bomba tinha como alvos soldados afegãos e estrangeiros, segundo o porta-voz oficial do Taleban, Zabiullah Mujahid, que reivindicou o atentado em nome do grupo.

Crise eleitoral

Tanto Ghani como seu rival na eleição presidencial, Abdullah Abdullah, reivindicaram a vitória nas urnas, o que deixou o Afeganistão em uma crise de vários meses e estimulou as atividades dos insurgentes, além de ter agravado a já péssima situação econômica do país.

Sob pressão da ONU e dos Estados Unidos, os dois candidatos aceitaram na semana passada formar um governo de união nacional, no qual Abdullah terá um papel similar ao de um primeiro-ministro.

Ghani representa principalmente os pashtuns do sul do país e Abdullah os tadjiques do norte. Abdullah prestou juramento nesta segunda-feira para o cargo oficial.

Entre os convidados estrangeiros, figurava o conselheiro do presidente Barack Obama, John Podesta, o presidente do Paquistão, Mamnoon Hussain, e o vice-presidente indiano Hamid Ansari, duas potências rivais na região.

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