Economia: crise ou bonança?

Candidatos de oposição apontam cenário de medo, e governo tenta mostrar que o país vai bem

iG Minas Gerais | Guilherme Reis |

Movimento. Se a economia piora e o país entra em crise, cai o poder de compra do consumidor
FOTO: DANIEL PROTZNER / O TEMPO
Movimento. Se a economia piora e o país entra em crise, cai o poder de compra do consumidor

Afinal de contas, como anda a economia do Brasil? Durante a campanha presidencial, o eleitor tem escutado duas versões. Uma é a do Palácio do Planalto, em que a candidata à reeleição, Dilma Rousseff (PT), assegura que a inflação está dentro da meta e exalta o pleno emprego. A segunda versão é dos candidatos da oposição Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (PSB). Ambos apontam explosão da inflação e a desconfiança do mercado. Entre os argumentos de cada trincheira, economistas explicam que o país não passa nem por bonança, nem por crise, mas sim por estagnação.  

Marina e Aécio usam o discurso de “perda daquilo que já foi conquistado”. “A inflação está batendo à porta, entrando na sua casa”, afirmou o tucano em um dos seus programas eleitorais. Para Marina, “o esforço do brasileiro de buscar melhores condições de vida corre o risco de se perder em função das políticas erráticas”.

Como contraveneno, Dilma adota a oratória de defesa do país em momento de crise internacional. “Nós fizemos uma política diante da crise que é diferente. Nós tivemos uma política completamente diferente. Nós não desempregamos, não reduzimos salários, não reduzimos direitos sociais, e não paramos de investir”.

Os dois quadros são extremos, e a versão dos analistas se situa entre os argumentos políticos. O professor de economia e economia internacional da PUC-Minas Flávio Constantino entende que o quadro não é positivo, o que, no entanto, não significa “crise”. “O problema do governo é a credibilidade. O governo aparenta ter uma meta de inflação mais baixa do que é possível. O país está em um nível médio de crescimento: nem para a frente nem para trás. As ações que deveriam ser tomadas para retomar o crescimento não estão sendo feitas. Isso se torna uma crise se nada for feito. É um cenário de estagnação”, analisou.

Para o economista José Kobori, o cenário econômico está mais próximo daquele que a oposição aponta, entretanto, ele não acredita que o país esteja em recessão. “O Brasil é um avião que está no chão. Precisa de reparos pontuais para voar. A economia do país tem bases mais firmes do que há 20 anos, e as ferramentas para o controle da inflação são mais fáceis de ser tomadas. A questão é que Dilma não está conseguindo fazer isso”.

Contexto. Para Róridan Duarte Penido, membro do Conselho Regional de Economia de Minas Gerais (Corecon-MG), o debate eleitoral foca questões pontuais sem contextualização por parte dos candidatos. “É a paranoia do PIB e do mercado. Não estamos na bonança, mas longe de crise. O país não cresce, mas o governo manteve os investimentos na área social. É a manutenção do desenvolvimento do país. Os dois lados devem ser avaliados”.

Termômetro Índices. Segundo o membro do Conselho Regional de Economia de Minas Róridan Penido, o avanço de um país deve ser medido pelo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e pela queda nos índices de desigualdade social.

“The Economist” pediu a cabeça de Mantega A condução da política econômica da presidente Dilma Rousseff a fez entrar em rota de colisão com uma das principais revistas sobre o tema no mundo, a inglesa “The Economist”, que sugeriu a demissão do ministro da Fazenda, Guido Mantega. Em 2012, em artigo após a queda do PIB, a publicação aconselhou Dilma, caso ela quisesse chegar ao segundo mandato, a demitir Mantega. Na época, a presidente respondeu: “de maneira alguma, eu levarei em consideração essa, digamos, sugestão. Não vou levar”.

Não fica mais Agora, após muita pressão, a presidente Dilma disse que Mantega não fará parte de um eventual segundo mandato.

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