Brasil dá passo atrás na geração de energia limpa

País responde por apenas 1,4% do investimento global em Novas Energias

iG Minas Gerais |

Vista de Itaipu. 
Estudo afirma que Brasil se acomodou por ter construído tantas usinas hidrelétricas
Jorge Saenz
Vista de Itaipu. Estudo afirma que Brasil se acomodou por ter construído tantas usinas hidrelétricas

BRASÍLIA. Até pouco tempo à frente na defesa da produção de energia de fontes renováveis, como etanol, biodiesel, eólica e solar, o Brasil está a poucos passos de sujar sua matriz energética. É o que aponta um amplo estudo sobre sustentabilidade e economia verde, feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e a Febraban, em fase de conclusão. Os motivos da mudança de prioridade, segundo a análise, seriam a descoberta e o início da exploração de grandes reservas de petróleo no pré-sal, o excesso de acomodação com as usinas hidrelétricas, além de aspectos tecnológicos e econômicos.  

O trabalho compara os investimentos globais nas chamadas Novas Energias (NEs) agendados para 2014. Eles somam US$ 214 bilhões e a participação brasileira nesse total é de US$ 3,1 bilhões, 1,4% do total. Na comparação com outros emergentes, como a China, o Brasil fica muito atrás. O país asiático investirá US$ 56,3 bilhões (26%). A Índia também aparece na frente, com US$ 6,1 bilhões (2,8%).

Além disso, os autores destacam que, embora as fontes renováveis ainda sejam majoritárias na matriz energética do Brasil, respondendo por 79,3% da eletricidade consumida (dos quais 70,6% de origem hidráulica, especialmente grandes hidrelétricas), esse percentual foi bem maior em anos recentes. Em 2011, era de 88,9% e, em 2012, 84,3%.

“Num contexto mundial, em que uma prioridade estratégica visando ao desenvolvimento sustentável e ao longo prazo é priorizar o uso de energias renováveis, o Brasil caminha no sentido oposto, no que tange à composição de sua matriz”, diz o estudo.

Segundo Aron Belinky, do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV, um dos autores da pesquisa, o grande volume de hidrelétricas construídas no passado ajuda nessa acomodação. Ele cita perda de oportunidade em relação a etanol e biocombustíveis: “As hidrelétricas trazem uma tecnologia antiga, dos séculos XIX e XX. Não é tecnologia de ponta do século XXI. Por mais que esse tipo de energia não gere efeito estufa, tem impacto local muito grande junto a comunidades ribeirinhas, vegetação, animais etc. É uma tecnologia com uso limitado, que depende de grandes rios”. O segmento de energias renováveis é um dos que mais têm crescido no mundo em termos de investimentos, enquanto no Brasil praticamente nada tem ocorrido.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave