Capital avalia implantação de projeto piloto em seis bairros no próximo ano

O custo do contrato com a prefeitura pelo serviço é a última coisa a ser definida, mas não deve ultrapassar o que é pago atualmente

iG Minas Gerais | Joana Suarez |

O que vira.A última etapa do processo de coleta seletiva é a reciclagem dos materiais – depois que os fardos são vendidos, vão para indústrias que transformam os produtos em matéria-prima.
RICARDO MALLACO / O TEMPO
O que vira.A última etapa do processo de coleta seletiva é a reciclagem dos materiais – depois que os fardos são vendidos, vão para indústrias que transformam os produtos em matéria-prima.

O exemplo de Itaúna inspira municípios como Belo Horizonte, que em 2015 deve implantar projeto piloto com catadores contratados para fazer a coleta seletiva, em princípio, em seis bairros. Hoje o recolhimento dos recicláveis porta a porta é feito por empresa terceirizada e atinge 34 dos 487 bairros da capital. O objetivo da Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) é aumentar o número para 47 em 2015 e chegar a 60 em 2016, a partir também da inclusão dos catadores, conforme prevê a Política Nacional de Resíduos Sólidos, em vigor desde agosto.  

“Buscamos conhecer o exemplo de Itaúna, que está dando essa abertura inovadora aos catadores”, explicou a chefe do departamento de Programas Especiais da SLU, Aurora Perdezoli. Dentro da concepção de ampliação da coleta seletiva na capital, a SLU disponibilizou as áreas que seriam planejadas com os catadores. O projeto vem sendo construído desde o início do ano e deve ser concluído no próximo mês, para entrar no orçamento de 2015. A proposta é ter quatro áreas atendidas nas regiões Centro-Sul/Barreiro/Oeste, uma nas Leste/Noroeste/Nordeste e uma no eixo Venda Nova/Norte/Pampulha. A frequência deve ser semanal, como já ocorre na cidade.

Um dos bairros que está previsto é o Floresta, na região Leste, onde a coleta seletiva será feita pela Coopesol Leste, que tem 35 catadores. A mobilização já começou a ser feita. “Fizemos uma rota, conversamos com os comerciantes e todos estão querendo muito”, destacou a presidente da cooperativa, Vilma da Silva.

O custo do contrato com a prefeitura pelo serviço é a última coisa a ser definida, mas não deve ultrapassar o que é pago atualmente. A vantagem da coleta com o catador é que ela pode ser multimodal – feita a pé, com carrinho de mão, motocicleta e caminhão.

“É um desafio muito grande para a cooperativa. Mas a prefeitura já entende que eles são profissionais. Agora, precisamos capacitar a sociedade também. É uma construção lenta, mas possível”, avalia Aurora. Ela destaca que, caso o projeto piloto não vingue, a prefeitura precisa de recursos e alternativas para suprir a demanda. “O foco do catador é na geração de renda, o foco da limpeza urbana é a realização do serviço. Já tivemos uma experiência com eles sem sucesso, mas estamos entendendo a realidade deles e conseguindo dialogar cada vez melhor”, diz.

Mapeamento. “Estamos construindo uma proposta atrativa financeira e operacionalmente para que os catadores participem do processo do início ao fim”, disse Cristina Luttner, engenheira ambiental do Instituto Nenuca de Desenvolvimento Sustentável (Insea), que também mapeia os trabalhadores de rua para incluí-los no processo. Para Cristina, quando o catador participa, o morador entende que está separando o lixo para o meio ambiente e para gerar renda para quem precisa. “O trabalho é mais bem feito porque eles não deixam material para trás”. 

O que vira. A última etapa do processo de coleta seletiva é a reciclagem dos materiais – depois que os fardos são vendidos, vão para indústrias que transformam os produtos em matéria-prima. No caso da garrafa pet, por exemplo, uma máquina separa o rótulo e a tampa e tritura a embalagem em pequenos flocos (na foto), vendidos para se tornarem novos produtos, como tecidos, tintas, resinas, plástico duro e novas embalagens.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave