Famílias grandes pagam bem mais caro por vários serviços

Carro sem espaço, dificuldade no táxi e má vontade de hotéis, esses são só alguns dos problemas

iG Minas Gerais | Ana Paula Pedrosa |

Mudança. Patrícia Souza e o marido Fábio tiveram que trocar de carro para dar mais conforto aos filhos Mateus, Pedro e Ana Vitória
Uarlen Valério
Mudança. Patrícia Souza e o marido Fábio tiveram que trocar de carro para dar mais conforto aos filhos Mateus, Pedro e Ana Vitória

Um filho a mais na hora de viajar pode significar uma conta 57% maior na saída do hotel. Ou pagar o dobro na corrida de táxi e ter que gastar mais na concessionária para comprar um carro. Famílias com mais de dois filhos têm que fazer ginástica para encaixar o orçamento nas possibilidades oferecidas pelo mercado, preparado para famílias menores.

“Passamos a viajar menos. Os hotéis não gostam de colocar cinco no mesmo quarto. Já me propuseram dividir o casal, ficar um adulto com uma criança em um quarto e o outro adulto com duas crianças em outro quarto”, conta Patrícia Regina de Souza, mãe de Mateus (6), Pedro (4) e Ana Vitória (1). A reportagem procurou hospedagem em um resort na Bahia. Alugar dois quartos foi a solução proposta pela atendente para acomodar a numerosa família. Por cinco diárias, o hotel cobra R$ 955 por criança. Mas, para reservar mais um quarto e acomodar a terceira criança, o valor sobe mais de R$ 3.000, passando de R$ 5.490 para R$ 8.615. O vice-presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagem (Abav Nacional), Edmar Bull, diz que há opções para famílias grandes, desde que elas estejam dispostas a gastar mais. “Se procurar um agente de viagens, ele vai apresentar muitas opções”, afirma. Ele diz que o “padrão é não ter infraestrutura para cinco pessoas”, mas sugere que a família procure hotéis com apartamentos conjugados, para que todos fiquem acomodados em dois quartos, mas sem separação. Carro. “O carro é desenhado para cinco lugares, mas, na prática, só cabem três. As cadeirinhas (das crianças) são muito grandes.” A reclamação é da designer gráfica Thaís Nassif, mãe de Rafael (14), Thereza (10) e Alice (4). Ela conta que a cadeirinha da pequena ocupa metade do banco traseiro. Na outra metade, se apertam os dois maiores. A lei exige o uso das cadeirinhas até os 7 anos e meio de idade. Na casa de Patrícia, onde as três crianças ainda têm que usar o acessório, a solução foi radical: trocar o carro. “Fiquei um ano passando aperto, aí troquei por um carro maior. Foi a primeira grande mudança”, conta. 

Pesquisa IBGE. As famílias com cinco pessoas ou mais representam 15,92% das famílias do país, de acordo com o IBGE. As maiores famílias do país têm 15 pessoas, segundo o órgão. 

Escolas dão descontos Se em alguns serviços as famílias pagam mais, em outros, quem tem muitos filhos consegue desconto. “Escola, transporte escolar e aulas especializadas sempre têm descontos”, diz a advogada Patrícia Souza. A redução de preços pode passar de 20%. Ela diz ainda que os preços altos não desencorajam quem quer ter uma família maio. “O segredo é o planejamento. É muito bom ter três filhos, cada um é de um jeito e tem sempre uma novidade em casa”, afirma.

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