Diferentes gerações buscam se acertar com as tecnologias

Desafio de conciliar diferentes pontos de vista fica mais evidente no trabalho

iG Minas Gerais | Litza Mattos |

Ambiente de trabalho. Funcionárias de uma universidade em Belo Horizonte contam como tentam lidar com as diferenças no dia a dia
Lincon Zarbietti / O Tempo
Ambiente de trabalho. Funcionárias de uma universidade em Belo Horizonte contam como tentam lidar com as diferenças no dia a dia

Enedina Maria Azevedo, 70, é supervisora de atendimento da Faculdade Estácio de Sá em Belo Horizonte e tem um chefe com a mesma idade do seu filho – 25 anos. A diferença de 45 anos que os separa é um breve retrato de como o convívio entre as várias gerações pode ser campo fértil para desafios.  

Seja em casa ou no ambiente de trabalho, os encontros entre os baby boomers (mais de 50 anos), pessoas da geração X (de 38 a 49 anos), Y (de 20 a 37 anos) e Z (menos de 19 anos) são marcados por diferentes pontos de vista e formas bem particulares de lidar com as tecnologias, conforme mostrou estudo da Mind Lab – empresa de pesquisa e desenvolvimento em tecnologias educacionais.

Ao se perguntar para 148 pessoas qual a matéria preferida, 40% dos baby boomers escolheram português; a maioria dos X (46%) se dividiu entre ciências e matemática; os Y (29%) ficaram com matemática, e os Z (30%) preferiram artes (veja infográfico).

“O conflito aparece quando o pessoal mais novo tem ciúme dos outros com maior maturidade. São mais inseguros e gostam de competir. Outro problema é que o pessoal mais novo fica ligado no celular o tempo todo”, diz Enedina.

O psicólogo e especialista em coaching Moacyr Castellani não hesita ao apontar as inovações tecnológicas como as responsáveis pelos conflitos. “A tecnologia muda a estrutura do funcionamento de uma sociedade, e, muitas vezes, as pessoas têm que se adaptar para usufruir dos novos recursos”, afirma.

Diferenças. Funcionária da mesma empresa de Enedina, e um pouco mais flexível, característica da geração X, a relações-públicas Daisy Picinin, 43, prefere ponderar. “Jovens e mais velhos podem contribuir um com outro, cada um com seu tipo de conhecimento, que, ao se agregarem, podem refletir em pontos positivos para empresa”, afirma.

A pró-reitora acadêmica da faculdade, Juliana Maria Matos, 33, acredita que o maior desafio é tornar equilibrado e saudável o ambiente de trabalho com todas essas diversidades.

“Também percebo uma resistência dos mais velhos em relação aos jovens para procurar entender as mudanças do mercado, e não simplesmente negá-las. Já os jovens têm que aprender com a experiência dos mais velhos de como lidar com as adversidades e os problemas”, afirma a representante da geração Y.

Com apenas dois meses de trabalho em um ambiente mais jovem, a aprendiz Lariane Fernandes, 18, diz que a idade também ajuda. “A afinidade acontece mais rápido por causa dos assuntos, gostos e mesmos pensamentos, mas a troca de experiências é importante para que as ideias não fiquem muito restritas”, acredita.

Moacyr diz que a convivência é um exercício diário. “É preciso aprender com o outro, exercitar a empatia e enxergar o que outro pode contribuir”, diz.

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