Competências para atrair, apaixonar ou amar

iG Minas Gerais |

No amplo espectro que vai rasgando os horizontes da existência humana, um tema misterioso merece destaque. É aquele que tenta desvendar o que aproxima, repele, enlouquece e tira o nosso juízo crítico. Falo da atração, do afeto e da química que impelem duas pessoas a estabelecerem uma conexão por um dia ou por uma vida inteira. Poderia, quem sabe, mencionar aqui os comportamentos herdados de espécies menos evoluídas, talvez, no afã de justificar a máxima de alguns que insistem em dizer que tudo é uma questão de pele. Encostou no parceiro e pronto: desencadeia uma tempestade de hormônios, quase um tsunami de desejos incontroláveis, como algo instintivo, reptiliano e quando o clímax acaba, vem o pior: o tal do “tchau”! “Não consigo nem beijar, Dr.”. Algo meio assim. Uma fome e depois a saciedade. A seguir vem a aversão e se insistir, a náusea. Desculpem a falta de jeito, mas estes casos de relação descartável são muito comuns. “Até o próximo cio e não pega no meu pé, não sou rapaz pra se casar”. Conhece alguém desta espécie? Evoluindo na “competência afetiva”, esses seres pululam nas noites e dias descolados deste nosso planeta. São aqueles que vão ficando, pegando e sendo pegados. Eles tuitam, usam o WhatsApp pra cá e pra lá e, de selfie em selfie, pesquisam tudo nas redes sobre o “seu objeto”. Se por um lado se conhecem virtualmente, por outro cursam apenas “um prezinho” ainda cheio de insegurança no mundo real. Nunca vi tanta gente mal resolvida afetivamente. E são essas mesmas pessoas que, vencidas as barreiras da timidez, precisam ainda se embalar pelo álcool para engatar namoros e, quem sabe, se apaixonar. Coisa de cérebro de mamífero (atração fatal, testosterona que transborda). Aqui, bem na área límbico do cérebro, a paixão desencadeia uma tempestade eletroquímica, uma inundação de uma substância chamada dopamina: o elixir do prazer, da alegria, da euforia, da sensação de recompensa e satisfação infinita. Tocam as trombetas. O paraíso é aqui. Musas e musos surgem (ó ilusão), afinal, paixão em latim significa dor. E doí, o peito aperta, falta ar. E também vicia, pensamos 24 horas no ser que é objeto da nossa paixão. Abstinência, loucura, ciúmes, brigas, idas e vindas e, enfim, perdemos o juízo crítico da realidade. E o pior, a paixão é finita, acaba. E quando ocorre é terra arrasada, espaço de indiferença e aversão. E se o parceiro adoecido pela abstinência ainda estiver apaixonado, bem nestes casos sobram ódios, crimes, perseguições, boletins policiais. Mas... e se virar amor?Amor é o nível mais evoluído dos sentimentos e exclusivo dos seres humanos. É onde deveríamos universalmente estar. Não é uma experiência, é um arrebatamento!Amor é atemporal. Não exige fidelidade, pois tem na confiança seu alicerce. Sexualidade é extra-corpórea, pois transcende a estética. É a fusão de corpos numa viagem pela mente e alma, tendo como combustível profunda emoção. Amor é para poucos e bons, por uma razão simples e despretensiosa: tem que ser construído com fé, confiança, entrega, intimidade, desprendimento, humildade, compreensão, perdão. Com doses diárias de maturidade, acolhimento e um “cafunezinho na alma”!

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