Sobre a criação transmídia de animações infantis no Brasil

Para gerar receita, cabe ao responsável criar caminhos, como vender produtos da franquia

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |

A produção de programas voltados para o público infantil no Brasil vem crescendo não só em plataformas digitais, mas também em meio aos canais pagos. Nesse meio, é usual que os canais comprem obras finalizadas ou as coproduzam.  

Um exemplo de canal que atua nessa linha é o Gloob. Fundado em 2001 e dirigido pelo neto do fundador da Globo Paulo Daudt Marinho, o canal exibe tanto animações quanto programas live action para o público infantojuvenil, como a atração mineira “O que Queremos para o Mundo”, produzida e dirigida por Igor Amin, da produtora TV Co-Criativa.

Segundo ele, muitos canais que exibem produções infantis brasileiras optam por live actions por questões financeiras. “Geralmente, fazer uma animação demanda mais tempo, mais profissionais e mais tecnologia, tudo isso a torna muito cara no Brasil”, afirma o diretor, que completa: “Por outro lado, as séries infantis são mais rápidas de serem produzidas e ficam mais baratas”.

Essa velha relação de compra de programas por canais não impede que haja uma convergência de mídias, nem que a internet seja incluída como parte da concepção. “Nós começamos nossa série para o Gloob na internet. Utilizamos de vídeos para perguntar às crianças o que elas aspiravam para o mundo. O material recebido serviu como base para a criação do piloto e, consequentemente, das dez pílulas que produzimos para o canal”, diz.

As formas de veiculação de programas e serviços, opina Amin, devem ser tão amplas quanto possível. “Essa hibridização de plataformas possibilita que o conteúdo chegue a um público maior. Isso é muito bom para produtores independentes”, afirma.

Essa lógica, porém, não é unânime entre produtoras do ramo, principalmente entre as mais tradicionais. Amin conta que muitas ainda procuram TV primeiro, depois cinema e só quando o produto está desgastado, pensam em colocá-lo na internet e essa postura vai contra a lógica vigente, comprovada pelo sucesso de desenhos como “Galinha Pintadinha” e “MPBaby”. “Com a adoção de uma postura de divulgação trasmídia, o potencial de ser compartilhado aumenta”, afirma.

Para gerar receita, cabe ao responsável criar caminhos, como vender produtos da franquia. “O crowdfunding também contribui muito para isso. Nós conseguimos R$ 40 mil para o longa inspirado na série (previsto para estrear em junho de 2015). Mas ainda não há uma forma certeira para isso”, conclui. 

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