O hijab da moda

iG Minas Gerais |

Ao passearmos por várias capitais europeias – Londres, principalmente, e as americanas (incluindo a Disney Word, capital da diversão)–, é visão comum a de famílias muçulmanas enfrentando o calor do verão com roupas condizentes e as mulheres cobertas dos pés à cabeça com um vestido amorfo que esconde a silhueta do corpo. Na definição de alguns, esse é o abaya. Na cabeça, um véu também de um tecido mais grosso, o hijab – que, se nos aprofundarmos nas regras do islã, pode ser também considerado toda a indumentária. Mas não estamos interessados em definir as variedades das nomenclaturas das peças, e sim refletir sobre o hijab, como é visto no Ocidente, ou seja, o lenço/véu que cobre a cabeça feminina deixando apenas a face à vista. Ascia Sarrha, uma kuwaiti-americana, usa há alguns anos o Instragran para colocar os seus modelos de hijab, e as combinações discretas e modernas que podem ser feitas entre eles e roupas contemporâneas. Ascia tem 900 mil seguidoras no Instagram. Saman’s Makeup & Hijabs, uma página do Facebook, oferece às usuárias do hijab formas de prender o lenço e, mais, padrões de maquiagem que deixam qualquer ocidental com inveja. Se procurarmos com mais profundidade, uma grande oferta de imagens aparecerá de muçulmanas jovens, bonitas – mas com a cabeça coberta. E sob o nosso ponto de vista, logo a cabeça, que no Ocidente ostenta cabeleiras, longas, mechadas, onduladas… Belas madeixas são um ponto crucial para segurança e sexualidade da mulher ocidental. A questão não é deixar de usar o hijab. Ele está impregnado na tradição, na fé, na ancestralidade dos costumes que fornecem aos muçulmanos sua identidade. A questão é a substituição do hijab preto pelos coloridos, estampados e presos de forma diferente. A moda necessita de comunicação. Se não for divulgada, qualquer novidade ficará presa em seu canto escuro, em descaso. Desde os anos 80, com a internet e sua expansão, as mídias sociais e os produtos criados especificamente para essas mídias, a moda roda o mundo. Não há mais regionalismo, tudo é de todos, todos são do mundo. E sendo a moda um fenômeno social tão forte, que há 500 anos só faz crescer, sua influência nas comunidades mais fechadas não poderia deixar de acontecer. Dos hijabs pretos e discretos àqueles bordados e coloridos, não há uma diferença religiosa. Há uma diferença de individualidade. Mariana de Faria Tavares Rodrigues é mestre em moda, pesquisadora de história da moda e docente no Centro Universitário UNA. Ela divide este espaço com Jack Bianchi, Lobo Pasolini e Tereza Cristina Horn 

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