Torcedora que xingou Aranha não comparece a evento em BH

Debate aconteceu com a participação do volante Tinga, do Cruzeiro, que no início do ano foi vítima de racismo em um jogo da Libertadores

iG Minas Gerais | LITZA MATTOS |

ESPORTES - BELO HORIZONTE - SEMANA NACIONAL SEM PRECONCEITO
Os jogadores Tinga e Dada participam de debate no shopping UAI na Semana Nacional Sem Preconceito.

FOTO: RICARDO MALLACO / O TEMPO - 27.09.2014
RICARDO MALLACO / O TEMPO
ESPORTES - BELO HORIZONTE - SEMANA NACIONAL SEM PRECONCEITO Os jogadores Tinga e Dada participam de debate no shopping UAI na Semana Nacional Sem Preconceito. FOTO: RICARDO MALLACO / O TEMPO - 27.09.2014

Patrícia Moreira, a torcedora gremista flagrada por imagens da televisão chamando o goleiro Aranha de “macaco”, não compareceu ao Festival Nacional sem Preconceito, realizado neste sábado no Shopping Uai, na região central de Belo Horizonte. A torcedora gaúcha havia sido convidada para participar do debate “Conquistando o Inimigo” para discutir o preconceito e o racismo no futebol e na sociedade. De acordo com o e-mail enviado por ela e lido pela organização do evento, Patrícia não pode comparecer por causa de uma reunião com os advogados que cuidam do seu processo.

“Não poderei participar do painel proposto, pois o escritório de advocacia que cuida do meu caso precisará se reunir comigo neste final de semana para tratar detalhes do meu processo, o que me impossibilitará de sair de Porto Alegre. Já havia me preparado pela viagem, mas nesse momento se torna necessário devido as últimas ocorrências, algumas noticiadas pela imprensa. Com certeza terão outras oportunidades e com certeza poderei me fazer presente”, disse o e-mail.

O debate aconteceu com a participação do volante Tinga, do Cruzeiro, que no início do ano foi vítima de racismo em um jogo da Copa Libertadores, contra o Real Garcilaso, no Peru. Também participaram, o ex-jogador Dadá Maravilha, o mestre em Ciência Política pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e especialista em estudos sobre racismo, Dalmir Francisco, e representantes da Central Única das Favelas (Cufa), da qual Patrícia agora faz parte.

Soluções. Para o jogador do Cruzeiro, as punições não devem passar pelo revanchismo, mas sim pela conscientização. “Nunca me preocupei com valores. Se pudesse determinar qual seria a punição gostaria que os clubes se envolvessem mais com as causas. Um exemplo seria determinar que clube jogasse com alguns dizeres na sua camiseta, no lugar do patrocinador”, sugeriu.

Sobre a situação da Patrícia, Tinga disse que ela deve pagar pelo que fez, mas que não acha correto “personificar um problema que acontece há séculos, está presente e cultural no nosso país”. 

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