Atos pela legalização do aborto vão tomar as capitais neste domingo

Eventos têm cerca de 6.000 pessoas confirmadas em BH, São Paulo, Rio e Porto Alegre

iG Minas Gerais | Litza Mattos |

Casos. Jandira Magdalena (esq.) e Elisângela Barbosa morreram em situações relacionadas a clínicas ilegais
Arquivo pessoal
Casos. Jandira Magdalena (esq.) e Elisângela Barbosa morreram em situações relacionadas a clínicas ilegais

As duas mulheres que morreram em menos de um mês após tentarem aborto em clínicas clandestinas no Rio de Janeiro serão lembradas neste domingo em pelo menos quatro capitais brasileiras. Atos públicos em Belo Horizonte, Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo foram marcados pelas redes sociais para lembrar o Dia Latino-Americano e Caribenho de Luta pela Descriminalização do Aborto – data criada em 1990, na Argentina, durante um encontro feminista. Os protestos já somam quase 6.000 pessoas confirmadas no Facebook.  

Nas últimas semanas, as mortes de Elisângela Barbosa, 32, e Jandira Magdalena, 27, chamaram a atenção inclusive da Anistia Internacional. A organização pede que o Brasil trate o problema como uma questão de saúde pública e de direitos humanos, e não criminal.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que o Brasil faça cerca de 1 milhão de abortos ilegais por ano, e que uma mulher morre a cada dois dias vítima dos procedimentos inadequados de interrupção da gravidez.

Ampliação. A coordenadora da ONG Católicas Pelo Direito de Decidir, Rosângela Talib, vai participar do ato em São Paulo e diz que o objetivo é “chamar a atenção dessas mortes que são completamente desnecessárias”. “Tratar essa questão simplesmente como crime não tem surtido efeito. Elas continuam fazendo aborto independentemente de credo religioso ou questão criminal”, afirma.

Segundo Rosângela, a organização não governamental diverge do posicionamento oficial da Igreja Católica, por não aceitar que a posição “representa a maioria dos anseios dos seus fiéis e por acreditar que a mulher tem capacidade moral e ética para decidir sobre sua vida reprodutiva”.

A sugestão de Rosângela é que o governo amplie o serviço de aborto legal que já existe no país. “O Ministério da Saúde já tem todas as normas e documentações para o abortamento seguro permitido por lei. Seria necessário apenas ampliar as equipes atendimento e oferecer esse serviço dentro dos hospitais. Não geraria nenhum ônus maior”, aponta.

Prevenção. A presidente do Centro de Reestruturação para a Vida (Cervi), Rose Santiago, acredita que a legalização do aborto não é a melhor opção e se diz a favor da vida da mulher. “O governo não tem condições de oferecer nem o tratamento básico de saúde e atender a grande massa. Como teria condições de fazer um acompanhamento pré e pós-aborto? Todas têm o direito sobre seu próprio corpo, mas ninguém tem o direito de matar ninguém”, afirma.

A solução apontada por Rose seria um “verdadeiro trabalho de planejamento familiar e de prevenção antes da gravidez, assim como vem sendo feita a vacinação contra HPV”. Ela conta que, nos últimos 15 anos, o Cervi já atendeu mais de 10 mil mulheres – de 12 a 52 anos – que passam por uma gestação inesperada. Deste total, menos de 5% decidiram abortar após receberem apoio psicológico, médico e até enxovais da entidade. “Ninguém se arrepende de não ter feito o aborto”, afirma Rose.

Corpo de Jandira Magdalena será enterrado neste domingo no Rio Rio de Janeiro. O corpo de Jandira Magdalena dos Santos, 27, que morreu após fazer um aborto numa clínica clandestina na zona Oeste do Rio, será sepultado neste domingo no Cemitério de Ricardo de Albuquerque, em Deodoro. O enterro foi autorizado na madrugada dessa quarta pelo plantão judiciário. O corpo já foi liberado do Instituto Médico-Legal (IML), mas na certidão de óbito não constava o nome de Jandira. Apenas a Justiça poderia incluir o nome da jovem no documento. A família, então, recorreu à Defensoria Pública para regularizar a situação. A auxiliar administrativa estava desparecida desde o dia 26 de agosto, quando entrou num carro que a levaria para fazer um aborto numa clínica clandestina. Um exame de DNA confirmou que era da grávida o corpo carbonizado, sem as digitais e a arcada dentária, encontrado em Guaratiba, na zona Oeste, no dia seguinte.

Concentrações

Belo Horizonte: Praça da Estação, às 14h – 318 pessoas confirmadas.

Rio de Janeiro: Posto 6 – Praia de Copacabana, às 14h – 1.500 confirmadas.

Porto Alegre: Parque Farroupilha (parque da Redenção), às 15h – mais de 1.700 pessoas confirmadas.

São Paulo: Avenida Paulista, 2443 (praça do Ciclista), às 12h – 2.100 pessoas confirmadas.

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