Embriaguez gera a suspensão de nove CNHs por dia em BH

Média é semelhante à do ano passado e revela, para especialista, deficiência na fiscalização

iG Minas Gerais | Johnatan Castro |

Incremento. Formatura de 2.000 militares reforçará a fiscalização tanto na capital quanto no interior
MOISES SILVA / O TEMPO
Incremento. Formatura de 2.000 militares reforçará a fiscalização tanto na capital quanto no interior

Em média, 9,2 carteiras de habilitação foram suspensas por dia em Belo Horizonte por causa de embriaguez ao volante, levando em conta o período de 1º de janeiro a 9 de setembro deste ano. O número se manteve semelhante à média de todo o ano passado, quando 9,1 motoristas tiveram os documentos suspensos. A ausência de queda nas punições, na opinião de um consultor em trânsito, reflete o congelamento da estrutura de fiscalização e da baixa quantidade de blitze realizadas na capital. A Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) admite que, desde 2012, mantém uma média diária de quatro pontos de abordagens pela cidade.

Nem todos os motoristas punidos, no entanto, foram pegos durante blitze, já que eles podem ter sido flagrados em outros tipos de abordagens e até em acidentes. A suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) ocorre somente após o trâmite de um processo administrativo que pode durar até um ano.

“Um maior número de blitze tende a diminuir o número de infrações em longo prazo. A manutenção desse número (de punições) não é um bom sinal porque, se as blitze são intensificadas, a tendência é as pessoas ficarem inibidas por dirigir nessa condição”, avalia o consultor em transporte e trânsito Silvestre de Andrade.

O secretário adjunto de Defesa Social, Robson Lucas da Silva, explica que quatro fiscalizações diárias é o número possível no momento, já que outras demandas precisam ser atendidas. Um dos exemplos citados por Silva foi a Copa do Mundo, que concentrou policiais, e os eventos que a cidade recebe, que acabam mobilizando militares do Batalhão de Trânsito. “Eu vejo essa equiparação de números como, de fato, um resultado da ação fiscalizadora do Estado. Hoje a gente entende que essa fiscalização tem sido suficiente”, disse.

O secretário afirmou que, após o Mundial, a intensificação das blitze vem sendo retomada gradativamente e que a formatura de 2.000 novos policiais militares, em novembro, reforçará esse tipo de fiscalização. Eles ainda serão distribuídos entre batalhões da capital e do interior.

“Temos uma ação de fiscalização que não se limita àquela que é pontual. Na área do hipercentro, os policiais do Batalhão de Trânsito foram equipados com etilômetros. Eles fazem abordagens nos sinais, em áreas onde há retenção, durante todo o dia. E à noite onde há recorrência de bares ou acidentes. Nos principais corredores, isso também acontece. E a presença física do policial também inibe”, disse Silva, ressaltando ter percebido um comportamento mais consciente do motorista.

Estratégia

Locais. A Seds afirma que as blitze são posicionadas em locais com incidência de bares e propícios a velocidade, como as avenidas Raja Gabáglia e Nossa Senhora do Carmo e o bairro de Lourdes.

Detalhes

Expansão. O secretário adjunto de Defesa Social, Robson da Silva, explicou que a pasta precisa atuar em outras frentes, o que acaba limitando a ação de blitze. Ele garante, entretanto, que “a área de trânsito é tão importante quanto a área da preservação da vida”. Integração. Silva destacou que a fiscalização da Lei Seca na capital tem ação integrada de Polícia Militar, BHTrans, Guarda Municipal e Detran, e que PMs nas ruas e rondas ostensivas reforçam a ação. “Ainda há aqueles que insistem em descumprir a lei. E, para eles, a fiscalização é implacável”.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave