Novas tecnologias procuram acabar com as turbulências

Identificar problema é um desafio, pois as ocorrências também estão em movimento

iG Minas Gerais | Jad Mouawad |

Monitorado. Meteorologistas fornecem dados climáticos detalhados para a indústria aeroviária e fazem teleconferências com companhias
Fotos Dan Gill/The New York Times
Monitorado. Meteorologistas fornecem dados climáticos detalhados para a indústria aeroviária e fazem teleconferências com companhias

Nova York, EUA. Não faz muito tempo, as companhias aéreas ainda recebiam a previsão do tempo por telex. Os pilotos tinham que pegar as pilhas de papel e comparar as previsões com seus planos de voo. Quando já estavam no ar, dependiam da comunicação via rádio e de radares rudimentares para evitar o mau tempo.  

Agora, os pilotos baixam os planos de voo e as previsões do tempo cheias de gráficos detalhados em seus tablets. Controladores de voo acompanham as aeronaves em tempo real, fornecendo dados atualizados sobre o clima. As novas gerações de sistemas de radar das aeronaves permitem a realização de ajustes rápidos durante o voo.

O resultado? Menos solavancos, sustos e bebidas derramadas que fazem parte dos voos desde os tempos de Santos Dummont.

“O segredo é a forma como utilizamos as informações. Basicamente, é apenas uma previsão, e ainda se trata do clima”, afirma Tim Campbell, vice-presidente de operações aéreas da American Airlines.

Mais potência computacional, melhores satélites e tecnologias de radar, além de modelos científicos mais sofisticados deram às companhias aéreas uma compreensão mais detalhada das condições de voo. Isso significa que elas têm mais condições de planejar suas operações antes dos voos – por exemplo, cancelando voos com maior antecedência. Durante os voos, os pilotos também conseguem desviar de tempestades e evitar turbulências.

Precisão. “As previsões semanais de hoje são tão precisas quanto as previsões de três dias realizadas há dez anos”, afirma Michael Pat Murphy, meteorologista do Centro Climático de Aviação em Kansas City, uma unidade do Departamento Atmosférico e Oceânico Nacional.

Os meteorologistas do centro fornecem dados climáticos detalhados para a indústria aeroviária e fazem teleconferências com companhias aéreas e o centro de comando do Departamento Federal de Aviação (FAA, em inglês) para informar a respeito das últimas previsões de chuva e tempestade.

A cada seis horas eles realizam previsões globais que são utilizadas por companhias aéreas de todo o mundo e emitem alertas de condições perigosas, como tempestades e geadas, nos EUA.

As turbulências representam um desafio especialmente complexo, já que não podem ser identificadas por satélite ou radar. Todavia, os meteorologistas utilizam modelos climáticos complexos, aliados à contribuição dos pilotos, para prever quais são as áreas de turbulência pesada. Sensores em alguns aviões operados pela Alaska Airlines, pela American Airlines e pela Delta AirLines enviam automaticamente informações para os controladores de voo.

Ferimentos. Desde 2002, em média 36 pessoas ficam feridas em decorrência de turbulências nos EUA todos os anos, de acordo com o FAA, que registra apenas os casos mais graves. No início de setembro, um jato da Allegiant Air entrou em uma zona de turbulência sobre a Flórida, ferindo três pessoas; a experiência “se parecia com uma montanha-russa muito ruim”, afirmou um passageiro, com pessoas pulando para cima e para baixo, como em cena de filme.

“Somos capazes de identificar áreas de possíveis turbulências. O mais complicado é identificar a localização exata em tempo real, já que toda turbulência é uma forma de movimento”, diz Tom Fahey, chefe de uma equipe de 27 meteorologistas da Delta.

Atrasos

EUA. O clima foi responsável por 36% dos atrasos de aviões em 2013, em vez dos 50% registrados em 2003, de acordo com o Escritório de Estatísticas de Transporte dos EUA.

Mudanças climáticas estariam influenciando ocorrências Nova York. Alguns especialistas acreditam que a frequência e a intensidade das turbulências podem aumentar em decorrência das mudanças climáticas. Um estudo realizado pelos professores Paul Williams, da Universidade de Reading, e Manoj Joshi, da Universidade de East Anglia, ambas no Reino Unido, revela que em meados do século a força das turbulências sobre o Atlântico Norte pode aumentar entre 10% e 40%. “Nossos resultados sugerem que a mudança climática levará a voos transatlânticos mais turbulentos”, afirmam. Conseguir prever corretamente o clima é apenas metade do caminho. Os aviões também sofrem atrasos por conta de espaços aéreos congestionados, capacidade limitada das pistas, problemas mecânicos, mesmo em dias de clima bom. Ademais, as companhias aéreas ainda erram suas previsões. Além disso, demora muito tempo para arrumar a bagunça deixada por essas tempestades e fazer os aviões e as equipes retornarem ao cronograma correto.

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