Sem medo de desafios

Ator Ravel Andrade fala da afirmação de sua carreira no cinema e na TV

iG Minas Gerais | Silvana Mascagna |

Ator gaúcho Ravel Andrade, que se prepara para estrear na novela “Império”, depois do sucesso como o adolescente alcoólatra Diego em “Sessão de Terapia”
Reprodução
Ator gaúcho Ravel Andrade, que se prepara para estrear na novela “Império”, depois do sucesso como o adolescente alcoólatra Diego em “Sessão de Terapia”

Muito antes de ter capacidade para decidir sobre o que queria ser na vida, Ravel Andrade já frequentava camarins de teatro e sets de filmagem. Aos 4 ou 5 anos, a única certeza que tinha era que ele adorava aquele ambiente, “cheio de gente maluca”, no melhor sentido do termo. É quase certo que isso o influenciou na decisão de trocar uma carreira como jogador de futebol para se tornar ator, já na adolescência. O que era impossível prever é se Ravel teria talento para a coisa.

Quem o viu na pele de Diego na recém-terminada terceira temporada de “Sessão de Terapia”, no GNT, ou no papel de Paulo Coelho jovem na cinebiografia “Não Pare na Pista” não tem dúvidas: o empurrão pode ter sido dado pelo irmão, o grande ator Julio Andrade, que sempre o levava a tiracolo em seu trabalhos, mas o talento está no DNA.

A prova disso é que bastou a aparição em “Não Pare na Pista” para surgirem outros convites.

Para fazer Paulo Coelho jovem no filme de Daniel Augusto, ele foi indicado pelo irmão, que vive o escritor brasileiro na fase adulta. “Eles estavam precisando de um ator mais novo, que se parecesse com meu irmão, e ele falou de mim. Fiz o teste e passei”, afirma Ravel.

Para “Sessão de Terapia”, foi a assessora de imprensa de “Não Pare na Pista” que o indicou para Selton Mello, diretor da série. Aos 22 anos, Ravel agora se prepara para um novo desafio: participar da novela das nove da Globo, “Império”. Ele ganhou o papel, depois que o diretor Rogério Gomes, o Papinha, o viu no filme.

Mas é Diego que tem e terá para sempre um lugar especial no coração do ator. Não apenas porque foi o primeiro papel importante de sua carreira, mas pelo desafio de interpretar um personagem tão diferente do que ele é. “Não me identifico com o Diego. Ele é órfão de mãe e é carente do amor do pai. E eu tenho uma relação ótima com meus pais. Na minha família, tem aquela coisa de ‘eu te amo’ pra cá ‘eu te amo’ pra lá’”, afirma, rindo.

Apesar da dificuldade, Diego estava na mira de Ravel desde que foi chamado para fazer teste para dois possíveis papéis em “Sessão de Terapia”: Rafael, o filho do psicanalista Theo (Zécarlos Machado), protagonista da história, que se envolve com drogas, e Diego, um adolescente alcoólatra. “Eu queria fazer o Diego porque me pareceu mais desafiador”. E conseguiu. Rafael ficou a cargo do ator Johnnas Oliva.

No primeiro teste, embora tenha feito cenas tanto para o Rafael quanto para Diego, ele diz ter ido “a carater”. “Fui com umas roupas largadas, típicas de um menino mimado, rico, que gostava de beber, que era a descrição dada pela sinopse de Diego”, conta. Fez outro teste e ficou ansioso, aguardando o telefonema da produção da série. Ele veio, mas, assim que a produtora de elenco se identificou, a ligação caiu. “Nossa, fiquei superapreensivo. Quando ela telefonou de novo e me disse que eu tinha passado para fazer Diego, saí dando pulos de alegria e abraçando meu irmão”, afirma Ravel, que mora com Julio em São Paulo desde que deixou sua Porto Alegre natal para fazer “Não Pare na Pista”.

As dificuldades para encarnar Diego foram sendo superadas no decorrer do processo, conta o ator. Um pito de diretor aqui. “Um dia o Selton chegou pra mim e disse: ‘Ravel, você precisa estudar mais’. Nossa, aquilo foi determinante. Passei a estudar muito. Fiz decupagem de texto, foquei o personagem e, aos poucos, fui encontrando o Diego. O Selton me transformou num ator”, conta. Um apoio ali. “O Zé foi um paizão”, diz, referindo-se ao ator protagonista da série, com quem contracenou em quase 100% das cenas. “Ele é todo o contrário daquele terapeuta sério que faz em ‘Sessão de Terapia’. Ele é alegre, vai gritando do camarim até o set, mas é megaconcentrado. Grande ator. Me ajudou muito. Foi comigo até o fim. Criamos uma relação de pai e filho. Me senti abraçado”, confessa.

Ravel vai guardar para sempre um fato que aconteceu durante as filmagens de “Sessão de Terapia”. “Um dia eu cheguei, e o Selton me perguntou: ‘ O que te comove?’ E eu respondi: ‘Pouca coisa, mas minha família me comove’. Meses depois, no quarto episódio, quando ia fazer uma cena forte, que o Diego iria enfim chorar, eu me concentrei e, quando olhei para baixo, tinha foto da minha família no chão”, conta. “O Selton é muito sensível. É carinhoso, generoso. Ele é meu guru”, afirma.

Um set com a presença do irmão e outro com um diretor generoso e um colega de cena “paizão” podem muito bem acostumar mal um ator em início de carreira, não? “Nada, estou louco para pegar alguém mais rigoroso. Quero sangue”, brinca.

 

 

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave