Prog Rock invade BH

Festival de rock progressivo faz a alegria dos fãs e agita a cidade nos dias 29 (segunda) e 1º (quarta), no teatro Bradesco

iG Minas Gerais | Bárbara França |

Sérgio Hinds apresenta em BH faixas pouco tocadas ao vivo
Sérgio Hinds apresenta em BH faixas pouco tocadas ao vivo

O SOM LADO B D'O TERÇO

No fim da década de 1960, três jovens músicos oriundos do Rio de Janeiro pegaram seus instrumentos e resolvem formar uma banda. Embora ambientados no colorido e no calor da Cidade Maravilhosa, eles não tocariam bossa nova ou samba. “Hey amigo, cante a canção comigo! Nesse rock estamos todos juntos”, conclamavam Jorge Amiden, Sérgio Hinds e Vinícius Cantuária, que queriam mais era saber de música pesada e deram vida a um dos maiores representantes do rock progressivo nacional. “O Terço”, palavra que remete ao objeto religioso, fazia referência à medida fracionária de três ou a “terça parte de alguma coisa”, nome que caia bem para o grupo que a princípio se baseava em guitarra, baixo e bateria. Mesmo depois de já ter passado por outras formações, o grupo ainda ocupa um lugar um tanto “divino” para os fãs do gênero, caracterizado sobretudo por induzir à transcendência musical. Exemplo disso é a música “Amanhecer Total”, última faixa do disco autointitulado lançado em 1973, que conta com 6 movimentos distribuídos em mais de 19 minutos e que será reproduzida em Belo Horizonte na próxima quarta-feira (1°) no show “O Terço Lado B”, que completa a programação do “BH Prog Festival”. O guitarrista Sérgio Hinds, único membro remanescente da primeira formação da banda, volta à capital para apresentar músicas não tão ou nunca tocadas ao vivo, para o deleite e viagem do público mais fiel. “Eu escolhi as músicas do passado que não tocamos mais e que considero preferidas do público, como ‘Deus’, ‘Gente do Interior’, ‘Adormeceu’, ‘Lagoa das Lontras’, ‘Mudança de Tempo’, ‘Blues do Adeus’, ‘No Edifício da Avenida Central’... ‘Amanhecer Total’ é especial, pois, pelo que me lembro, nunca tocamos o tema ao vivo”, comenta. Os arranjos reproduzirão fielmente as gravações originais dos discos lançados entre 1970 e 1978. Desejo Hinds, que esteve em BH ano passado com a turnê 3D do Terço, ao lado de Flávio Venturini, Sérgio Magrão e Fred Barley, conta que a ideia de fazer um show “lado B” partiu primeiramente da demanda do público, algo que o produtor do evento – e fã – Claudio Fonzi captou bem. “Era um antigo projeto e antigo sonho a realização de shows onde fossem tocadas músicas de discos que adoro, mas que jamais vi ao vivo. Daí criamos, Sérgio Hinds e eu, esse lindo projeto chamado ‘O Terço Lado B’”, comenta Fonzi. A morte recente do guitarrista e co-fundador da banda, Jorge Amiden, também foi um dos motivos para a realização do show, transformado em uma homenagem. Mas claro, para aqueles mais ligados no lado A da banda, músicas imprescindíveis como “Criaturas da Noite”, “1974” e “Hey Amigo” não ficarão de fora. “Montei um repertório pensando em agradar os fãs e também os que estão indo conhecer pela primeira vez o trabalho do Terço”, esclarece o Hinds, que dessa vez terá ao seu lado o baterista Barley, o baixista e vocalista Silvio Izy e o tecladista Ronaldo Rodrigues. A abertura do show fica por conta da banda belo-horizontina Cálix. O Terço Lado B Teatro Bradesco (r. da Bahia, 2.244, Lourdes). Dia 1º (quarta-feira), às 20h. R$ 100 (inteira).

 

O GENESIS PROGRESSIVO

Realizando mais um sonho de fã, o BH Prog Festival traz para a capital no dia 29 (segunda-feira) o Genetics, uma banda tributo à fase mais aclamada do grupo de rock progressivo Genesis. Para quem não pode ver ou nem tinha nascido quando Peter Grabriel, Phil Collins e Steve Hackett, Tony Banks e Mike Rutherford ultrapassavam as barreiras dos gêneros musicais e levavam o rock a outro patamar, os argentinos reproduzem fielmente a sonoridade e a performance dos ingleses realizadas no período entre 1970 e 1975. “A ideia é recriar um espetáculo cuja versão original já não voltaremos a ver mais. É como um jogo: nós propomos ao público se transportarem durante duas horas a um teatro londrino do início dos anos 1970 e sentir como era assistir ao Genesis”, comenta Claudio Lafalce, o baixista, guitarrista e vocalista do Genetics.

As músicas que serão apresentadas foram retiradas principalmente nos discos “Trespass” (1970), “Nursery Crime” (1971), “Foxtrot” (1972) e “Selling England by the Pound” (1973), uma sequência de tirar o fôlego. “O repertório é extremamente exigente tanto com relação à técnica quanto ao timbre. Somos um grupo de músicos que tenta recriar o mais fiel possível as músicas”, define Lafalce. O Genetics foi formado em 2011 para aproximar o público mais jovem à banda inglesa que eles tanto amam e cresceram ouvindo. “Tocar estes temas é um prazer e ao mesmo tempo algo natural, afinal este som já faz parte da nossa vida”.

Ladylike

Outra atração da noite é a banda Ladylike, liderada pela cantora e compositora mineira Tânia Braz, que abrirá o evento com composições próprias e versões da banda Renaissance, outro ícone do rock progressivo setentista. No entanto, para o produtor Claudio Fonzi, o festival não é direcionado apenas aos fãs do prog. “A riqueza melódica das bandas que serão apresentadas supera qualquer tipo de rótulo. São canções e obras que mesclam primorosamente instrumentos e vozes e sensibilidade com técnica. Mesmo quem jamais tenha ouvido falar do termo ‘progressivo’ poderá se encantar”, convida. (Bárbara França)

Genetics Teatro Bradesco (r. da Bahia, 2244 – Lourdes). Dia 29 (segunda-feira) às 20h. R$100,00 (inteira).

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