Todas as mulheres de Chico

iG Minas Gerais | Bárbara França |

Tânia Alves, Lucinha Lins e Virgínia Rosa adentram o universo feminino de Chico Buarque para celebrar seus 70 anos
JOÃO CALDAS FILHO/DIVULGAÇÃO
Tânia Alves, Lucinha Lins e Virgínia Rosa adentram o universo feminino de Chico Buarque para celebrar seus 70 anos

“Sou Ana do dique e das docas, da compra, da venda, das trocas de pernas”. “Bárbara, nunca é tarde, nunca é demais...”. “Carolina, nos seus olhos fundos, guarda tanta dor, a dor de todo esse mundo”. Madalena, vem cuidar dos nossos filhos! Ela voou para a América, a Iracema. Não esqueçamos das mulheres de Atenas.

Muitas são as musas que inspiraram Chico Buarque, tantas outras ele incorporou no seu eu lírico. O cantor, compositor, escritor e poeta carioca narrou e adentrou o universo feminino com sutileza e com a profundidade de quem conhece bem.

Para celebrar toda essa sabedoria adquirida em 70 anos de vida, o espetáculo “Palavra de Mulher”, em cartaz no Palácio das Artes nos dias 3 e 4 (sexta e sábado), apresenta um repertório escolhido a dedo e que ganha vida na voz delas, as maiores homenageadas: as mulheres de Chico. O cenário, assinado por Fernando Cardoso, é um cabaré, com sua luz mais fraca e clima sensual. Nele, as cantrizes Tânia Alves, Virgínia Rosa e Lucinha Lins, travestidas com adereços e decotes provocantes, são as protagonistas de uma história que é real, a da relação de Chico Buarque com suas próprias vidas, afinal, cada uma tem em sua trajetória um toque do cantor. Lucinha, por exemplo, além de ter feito a vilã Vitória Régia de “Ópera do Malandro” e a prostituta Nancy de “O Corsário do Rei”, foi eternizada por cantar “História de uma Gata” no filme “Os Saltimbancos Trapalhões”, de 1981, baseado na versão buarqueana de “Os Saltimbancos”.

“Um momento que sempre me emociona é quando brinco que há algo dentro de todos nós sem tamanho ou idade, que é memória afetiva. Então começo a cantar “História de uma gata” e a plateia canta junto comigo. Todo mundo vira criança!”, lembra Lucinha que, se apaixonou pelo cantor ainda criança, ouvindo “A Banda” no Festival da Música Popular Brasileira. “Chico Buarque faz parte da minha vida praticamente desde que nasci. Cresci ouvindo suas músicas, pude trabalhar obras dele e já o conheci pessoalmente, quando era casada com Ivan Lins. O Chico me engrandece como artista”, elogia.

Com direção musical de Ogair Júnior, o repertório conta ainda com “À Flor da Pele”, “Atrás da Porta”, “Basta Um Dia”, “Bem Querer”, “Folhetim”, “O Meu Amor”, “Olhos nos Olhos”, “Sob Medida”, “Tango de Nancy”, “Terezinha”, “Trocando em Miúdos” e “Viver do Amor”, entre outras.

Show teatral

Lucinha, que no palco é Madame, algo como a cafetina do grupo, inspirada na Vitória Régia da “Ópera do Malandro”, conta que a ideia para o espetáculo surgiu de uma participação um tanto inesperada em um show organizado há alguns anos pela Virgínia em São Paulo só com canções do Chico, no qual Tânia também cantou. “A química funcionou tanto que parecia que tínhamos ensaiado três meses!”, comemora. Dali até a ideia se transformar em “Palavra de Mulher” foi um pulo, mas ela adverte: não se trata bem de um musical. Contando com Ogair Júnior no piano e acordeon, Robertinho Carvalho no contrabaixo e Ramon Montagner na bateria, o espetáculo é, nas palavras da atriz, um “show levemente teatralizado”. “‘Palavra’ não tem bailarinos, mas nós dançamos, não tem uma grande orquestra, mas tem três músicos maravilhosos, não existe um texto, mas batemos um papo maravilhoso. O que a gente está cantando provoca uma identificação com as pessoas. Chico faz parte da trilha sonora das nossas vidas”. Palavra de Mulher Com Lucinha Lins, Tânia Alves e Virgínia Rosa Palácio das Artes (av. Afonso Pena, 1.537, centro). Dias 3 e 4 (sexta e sábado), às 21h. R$ 50 (inteira).

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