Ministério Público denuncia engenheiro por morte de criança em piscina

Ângelo Coelho Neto foi o responsável pelas obras de reforma da parte aquática do clube que, de acordo com a investigação da Polícia Civil, apresentavam irregularidades de planejamento e execução que tornaram possível a ocorrência do acidente

iG Minas Gerais | Bruna Carmona |

Na imagem, toboágua da piscina onde o acidente aconteceu
FERNANDA CARVALHO
Na imagem, toboágua da piscina onde o acidente aconteceu

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou o engenheiro Ângelo Coelho Neto por homicídio com dolo eventual - quando não há intenção, mas se assume o risco de matar - pela morte da menina Mariana Silva Rabelo de Oliveira, de 8 anos, que se afogou em uma das piscinas do Jaraguá Country Club, na região da Pampulha, em janeiro deste ano. A menina teve o cabelo sugado pelo ralo de uma das piscinas enquanto brincava.

Coelho Neto foi o responsável pelas obras de reforma da parte aquática do clube que, de acordo com a investigação da Polícia Civil, apresentavam irregularidades de planejamento e execução que tornaram possível a ocorrência do acidente. "Havia várias irregularidades nas obras e, por isso, eu entendi que o engenheiro responsável assumiu um risco muito grande", disse o promotor Francisco Assis Santiago, que ofereceu a denúncia à Justiça na tarde desta sexta-feira (26).

Em julho, a Polícia Civil concluiu o inquérito relativo ao caso e indiciou, além de Neto, dois membros da diretoria do clube. Segundo o promotor, Marco Antônio de Pádua Faria e Felisberto Carvalho de Góes Neto, que presidiram a agremiação, não foram denunciados à Justiça porque o MPMG entendeu que o Coelho Neto era o único responsável pela reforma da piscina. "Não vi razões para denúnciá-los", disse o promotor. Assim, ambos estão livres da acusação.

"Eu entendo a posição do Ministério Público, mas entendo também que, se eles não são culpados, acho que são, no mínimo, responsáveis", disse o empresário Marco Aurélio de Oliveira, pai de Mariana. A família aguarda a decisão da Justiça. "O que eu espero é que o juiz acate a denúncia e que ele vá a júri popular", afirmou Oliveira.

O caso

Um laudo feito pela Polícia Civil apontou que houve um erro de engenharia em relação à bomba de sucção da piscina do Clube Jaraguá Country Club, na região da Pampulha, em Belo Horizonte. Conforme o documento, a piscina tinha dois ralos. Um deles fazia a filtragem da água e o outro era um sugador, que no entendimento da perícia, não estava dentro das noções de segurança.

No dia 3 de janeiro deste ano, Mariana estava no clube com familiares e se afogou depois de ficar com cabelo preso no ralo de uma das piscinas. Ela chegou a ser socorrida e encaminhada ao Centro de Terapia Intensiva (CTI) do hospital Odilon Behrens, mas morreu um dia depois.

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