Simplesmente, não!

iG Minas Gerais |

Hoje irei comemorar o “Dia do Não”. Nunca ouviu falar? Pois bem, acabo de criá-lo, à revelia. Só para mim mesma, e, se quiser, fique à vontade para copiar. Se as pessoas inventam dia de tudo quanto é coisa, por qual motivo eu não posso decretar a data do “Não”? Na verdade, funciona como um grito para mandar para o espaço (ou pro inferno, como queira) as “coisas ruins” daquelas 24 horas. Entenda como ruins, nesse caso, aquelas ações ou pessoas que tiram sua alegria, minam seu bom humor, roubam sua energia, fazem você ter vontade de voltar para casa ou até nem sair da cama. Hoje, em especial, falo de bobagens que nos irritam e das quais precisamos nos blindar. Coisas que definitivamente NÃO valem a pena e, ainda assim, nos trazem cansaço e chateação. Então está decretado: Não! Não, por exemplo, à teoria da conspiração. O mundo está cheio de malucos. Em época de eleições, a piração de alguns fica mais exacerbada. Fazem conjecturas sobre fotos, textos e falas publicadas em jornais, sites e redes sociais. Dizem que tudo é injusto, que todos os jornalistas são tendenciosos, que o mundo gira contra o seu candidato preferencial. Aí percebemos que nem são tão malucos assim... São mesmo intransigentes. Acabam ofendendo, criticando e até perdendo amigos para não “perder a postura política e social”. Sentem-se perseguidos em suas ideologias. Dou um baita NÃO pra gente assim e torço para que voltem ao normal quando novembro chegar. Tenho uma amiga que sempre diz que o “problema” de algumas pessoas é ter feito poucos aniversários. Adoro essa teoria e a defendo com veemência. Se não entendeu, eu explico. É que algumas questões e posturas na vida só chegam com aniversários. Ou seja, com a idade, com o amadurecimento trazido pelos anos. Enriquecemos nossos conceitos, nos tornamos menos volúveis, menos instáveis (ou pelo menos tentamos ser). A quem tem aniversários de menos falta noção. Em alguns casos, noções básicas de educação, de hierarquia, de gentileza, de respeito e de tantas outras coisas importantes no comportamento humano... Portanto, um NÃO também para a falta de aniversários!  Buzinar sem quê nem pra quê merece outro não. O trânsito de Belo Horizonte mal te permite sair do lugar. Estressante, irritante e sempre congestionado. No meio de tanta complicação ainda aparece sempre um motorista mal-educado. Buzina para impor poder e se mostrar superior. O sinal nem abriu, e lá está ele afundando a mão no equipamento, que deveria ser de alerta. Acho que é gente que adora chamar a atenção. Buzina tem hora certa, é para ser usada com discernimento, e quem não faz assim merece um não. E como tratar a falsidade, o interesse e a mentira? Sugiro não, não e não. E também vai mais um não para afastar a soberba. Essa, sim, é tão carregada que pode dar fim a qualquer dia bom. Não a esta sexta-feira, é claro, porque nela comemoramos o “Dia do Não”, instituído por mim, utilizado por quem bem entender. No dicionário, a palavra “não” é um advérbio de negação. Manifesta ou explicita rejeição, recusa. No entanto, na vida, ela pode ser bem mais ampla do que isso. A tônica não é apenas ruim, criada para ruir desejos. Um não também pode implicar libertação, desprendimento. É preciso aprender a se encontrar com o não e entender que – algumas vezes – ele é peça fundamental para alavancar mudanças. O não pode ajudá-lo a encontrar novos caminhos ou retomar antigos. Ele não e só rabugice. Tão pequeno e tão poderoso, para bem ou para o mal. Saiba usá-lo (com coerência a seus princípios). Diga ou grite, se preferir. Um sonoro NÃO pode deixá-lo mais leve e até mais feliz. 

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