Bebel Gilberto, de Nova York ao Leblon

Filha de João Gilberto mostra canções do álbum “Tudo”, com influências de bossa, música eletrônica e percussão

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

“Tudo” marca a volta de Bebel Gilberto ao mercado fonográfico, após cinco anos sem gravar um disco autoral
Daryan Dornelles/Divulgação
“Tudo” marca a volta de Bebel Gilberto ao mercado fonográfico, após cinco anos sem gravar um disco autoral

Herdeira direta da bossa nova, Bebel Gilberto pode insistir em passear por sintetizadores eletrônicos até cadências modernas da MPB, mas não larga o banquinho e violão do pai João Gilberto. “A bossa nova vai existir na minha música sempre, mesmo que eu faça hardcore um dia”, brinca a cantora. Convidada da Mostra Cine Brasil, ela sobe ao palco do Cine Theatro Brasil hoje à noite para apresentar pela primeira vez em Belo Horizonte o show do sétimo disco da carreira, “Tudo” (Sony Music), que tem parcerias com Adriana Calcanhotto, Seu Jorge, além de uma regravação da lenda do folk, Neil Young.

Como a própria abrangência do nome sugere, “Tudo” tenta abraçar os universos distintos que permeiam a vida da artista nascida em Nova York, mas criada no Rio de Janeiro. De um lado, o clima de praia, sol e mar que parece uma caminhada no Leblon. Do outro, a influência da chamada bossa eletrônica, popularizada pela própria artista em seu bem recebido disco de estreia solo, “Tanto Tempo” (2000).

Produzido pelo renomado diretor musical Mario Caldado Jr., que contribuiu com discos dos Beastie Boys e da cantora islandesa Björk, “Tudo” foi gravado e mixado em três cidades diferentes – Rio, NY e Los Angeles – durante três meses do verão passado. Para Bebel Gilberto, o intercâmbio entre cidades fez com que o seu trabalho ganhasse as suas influências mais distintas, além de aflorar um lado percussivo que ela ainda não tinha explorado na carreira, ao fazer dueto com Seu Jorge no inédito samba “Novas Ideias”. “No início, não tinha pensado em trazer minhas referências dos EUA e da praia carioca de forma tão nítida e perceptível – aconteceu muito pelo fato do disco ir e voltar para o Brasil no processo de gravação. Nessa loucura, tive chance de introduzir a percussão no meu trabalho, uma coisa que o Seu Jorge me fez prestar mais atenção, disse que combinava com a minha voz”, diz.

Tachada de “musa contemporânea da bossa nova” – ainda que os tempos áureos desse rótulo tenham ficado nos anos 2000 – Bebel Gilberto também se renova com a parceria com Adriana Calcanhotto, na faixa-título e single do disco, que fazem lembrar os tempos de “Mulher Sem Razão” e “Mais Feliz” – também com contribuição da cantora gaúcha, ao lado de Cazuza e Dé Palmeira. “Acho que a Adriana foi o equilíbrio entre influências de fora e do Brasil, principalmente porque ela tem uma relação forte com Portugal, entende bem os intercâmbios musicais e soube tirar com simplicidade o resultado que eu esperava. Tanto que ela me mandou parte da letra na mesma semana que fiz o convite”, conta.

Regravações. Da safra de regravações, além de “Vivo Sonhando”, de Tom Jobim, Bebel Gilberto apresenta “Harvest Moon”, clássico do folk mundial transformado em bossa sussurrada. “Neil Young é um cara que ouço desde adolescente, ele formou boa parte da minha poesia. Quando pensei em regravar, senti que a música era muito rústica para mim, então fiz um clima de sussurros bossa nova, que é de onde eu vim”, diz.

Show. Na apresentação desta noite, além do repertório novo, Bebel Gilberto também promete acalentar os fãs que pout pourris da carreira, como “Garota de Ipanema” e “Eu Preciso Dizer Que Te Amo” em versões mais eletrônicas. Além disso, ele deve passear por ícones da MPB, como Tom Jobim, o pai João Gilberto e Chico Buarque. “Sempre rola alguma coisa diferente no meio do show, e quase sempre é algo puxando meu lado brasileiro que fala alto demais”, diz.

Serviço. Bebel Gilberto apresenta o show do disco “Tudo”, hoje, a partir das 21h, no Cine Theatro Brasil Vallourec (rua Carijós, 258, Praça 7, centro). Os ingressos custam R$ 120,00 (inteira) e R$ 60 (meia-entrada). Em preço especial, as entradas para as duas últimas fileiras do mezanino saem a R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia-entrada).

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