Todos dizem algo que já foi dito antes

Prolífico cineasta repete temas de produções anteriores com roteiro abaixo da média e atuações irregulares

iG Minas Gerais | daniel oliveira |

O tom demora, mas a química entre Firth e Stone dá o único charme ao filme
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O tom demora, mas a química entre Firth e Stone dá o único charme ao filme

Nem tão bom quanto “Blue Jasmine”, nem tão ruim quanto “Você Vai Conhecer o Homem dos seus Sonhos”, “Magia ao Luar” é aquele filme em que Woody Allen tomba sob o peso do próprio volume de trabalho. O longa, em cartaz há cerca de um mês, traz o cineasta nova-iorquino reciclando uma série de temas que ele já explorou melhor em outras produções – e o maior problema é que isso reverbera em outros aspectos do filme, especialmente nas atuações de Colin Firth e Emma Stone.

Ele vive Stanley, ilusionista contratado para desmascarar o golpe que a vidente Sophie (Stone) estaria aplicando em uma rica família do sul da França. Assim como em “Rosa Púrpura do Cairo”, e especialmente “Meia-noite em Paris”, Allen explora a ideia do fantástico como uma alegoria para o amor romântico – algo que não se pode explicar e, portanto, desafia a racionalidade neurótica de seus protagonistas. Só que, ao contrário da leveza despretensiosa de “Meia-noite”, o diretor oferece uma explicação para sua trama no final, sintoma da insegurança de um roteiro que repete as mesmas histórias e informações o tempo inteiro – como se Allen soubesse que esse não é um de seus melhores trabalhos e ficasse tentando se justificar para o público.

A reutilização se reflete em Firth, que parece interpretar Allen fazendo seu personagem, e Stone, que interpreta Diane Keaton em seus anos allenianos. Isso faz, principalmente no início, com que suas performances soem mais afetadas do que o tom da história pede. Com o passar do tempo, porém, os dois encontram o tempo certo, e a química inegável de Stanley e Sophie se torna o grande charme de “Magia ao Luar”.

Como Cate Blanchett afirmou inúmeras vezes no ano passado, Allen dirige na página. E quando o roteiro não funciona, isso se percebe na tela, com a decupagem clássica do diretor soando pobre e os diálogos cansativos. Isso fica bem claro em uma cena no final entre Firth e a atriz Eileen Atkins em que o texto é genial e produz faíscas ao ser proferido por atores afiados, e você percebe o filmaço que “Magia ao Luar” não é.

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