A cozinha paraense do BM Design

iG Minas Gerais |

Feita com a folha de mandioca e carne de porco, maniçoba é um dos pratos do BM Design
Henrique Falci / Divulgação
Feita com a folha de mandioca e carne de porco, maniçoba é um dos pratos do BM Design

Gostei muito do BM Design, que de restaurante só não tem o nome. Nem precisa. Afinal, o espaço também é muito bacana no que se refere ao outro negócio ali desenvolvido, a divulgação de objetos de decoração de desenho arrojado, criativo e bonito, de autoria de Beatriz Maranhão. Eis o motivo da denominação incomum, que no entanto traduz a identidade da proposta e de quem responde por ela. A culinária paraense faz parte das origens da proprietária, que compartilha com a clientela mineira a riqueza, diversidade e intensidade de um dos melhores capítulos da cozinha nacional. Espero sinceramente que o convite da designer continue a ter a resposta de público que presenciei na última semana, coincidindo, aliás, com a programação do Restaurant Week. Clientela numerosa, gente descolada, de bom gosto, casais, turmas de amigos e famílias, desfrutam da atmosfera de elegância descontraída, com mesas despojadas, utensílios adequados, clássicos, cadeiras confortáveis e coloridas, relógios psicodélicos e lindos armários recobertos de fragmentos de espelho. A casa dos anos 60 tem fachada de estilo e a área interna goza de iluminação natural, graças ao janelão de vidro temperado que comunica com um jardim de inverno. O festival é uma iniciativa valorosa, que estimula o hábito de comer fora como programa de lazer e vivência cultural e não apenas como rito de sobrevivência. Optamos por dois menus diferentes, que durante o almoço tem preço abaixo dos R$ 40, subindo à noite para R$ 50. O meu começava com salada de feijão fradinho e vinagrete de camarão, tenros, condimentação delicada mas cheia de personalidade. A continuação foi a maniçoba, à base da maniva, a folha de mandioca preparada com paciência indígena, na companhia de várias carnes de porco, guardando semelhança com a feijoada, embora seja bem mais leve e digestiva. Gigi conferiu a estupenda casquinha de siri e depois iscas de filé com banana da terra assada. As guarnições de arroz coberto de cebola ralada e dourada e farofa de farinha finíssima podem ser repostas, se necessário, assevera o garçom, e a pimenta cumari trespassa com ardência as iguarias, acentuando seu perfume e trazendo à mesa o calor úmido do Mercado Ver o Peso. De sobremesa, para simplificar, dois bombons, de castanha e cupuaçu. Ambos deliciosos. O suco de taperebá é ótima pedida para acompanhar a refeição amazônica. A conta para dois ficou na casa dos R$ 180. A consulta ao cardápio mostrou que a cifra subiria para menos de R$ 200, no dia a dia da casa. Um lugar para ser revisitado frequentemente! 

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