Aparelhos de inspeção inibem atos de violência

Cada conjunto de equipamentos custa cerca de R$ 120 mil; no Mundial, Estado alugou as peças

iG Minas Gerais | Thiago Nogueira |

Insuficiente. No clássico de domingo, a revista manual foi feita por seguranças de empresa privada
ALEX DE JESUS/O TEMPO
Insuficiente. No clássico de domingo, a revista manual foi feita por seguranças de empresa privada

Se o Mineirão de hoje tivesse os equipamentos de inspeção como os usados na Copa do Mundo, eles não seriam capazes de impedir a entrada de 100% dos materiais explosivos ou perigosos – como as bombas que explodiram no clássico do último domingo – mas, certamente, inibiria em muito a ação dos maus torcedores. A constatação é da VMI Sistemas de Segurança, empresa que forneceu scanners de raio X, portais e os detectores de metais manuais para dez dos 12 estádios do Mundial. “Esses equipamentos inibiriam substancialmente a entrada desses objetos. O cara não ia se arriscar. O equipamento tem um efeito psicológico e prático. São eficientes”, ressalta o gerente comercial de scanner da empresa, Eliano Silva. Precisos na identificação de armas e instrumentos pontiagudos, os detectores de metais, na verdade, não identificariam rojões ou as chamadas bombas-garrafão. O escaneamento, no entanto, poderiam identificar peças suspeitas dentro de bolsas. Só mesmo se o torcedor mal-intencionado tentasse entrar com o objeto entre as partes do corpo é que os agentes de seguranças precisam estar atentos. “Tudo depende dos procedimentos adotados. Aleatoriamente, poderia-se ter uma revista pessoal”, sugere Silva. Custos. O preço dos equipamentos seria o principal entrave para que o sistema pudesse ser implantado definitivamente no Mineirão. Para se ter uma ideia, durante a Copa, foi preciso alugar 64 conjuntos (com scanner de raio X, portal e detectores manuais) para dar conta de todas as entradas do estádio, segundo os padrões Fifa. De acordo com a VMI, para adquirir cada grupo de equipamentos é preciso desembolsar algo em torno de R$ 120 mil. Os valores podem variar de acordo com o uso e o número de aparelhos adquiridos. O mesmo vale para o caso de aluguel. Para a Petrobras, no Rio, a VMI aluga cada conjunto por R$ 7.536 mensais para a utilização. Sobre a intenção de implantar o sistema, a Minas Arena informou que não tem estudos para adquirir os equipamentos. Qualquer decisão, aliás, implicaria revisão de contrato assinado com o Cruzeiro, seu principal parceiro da concessionária. Legado. Dos 12 estádios da Copa, apenas dois – o Beira-Rio, em Porto Alegre, e o Castelão, em Fortaleza – tiveram os equipamentos de segurança adquiridos pelos Estados. Após a competição, eles foram enviados para presídios. Nas demais arenas, os aparelhos, que fizeram parte dos custos com as estruturas temporárias, foram alugados e devolvidos.

No mercado Scanner de raio X. Equipamento robusto, acoplado a uma esteira. Bolsas e mochilas são escaneadas e, em caso de suspeita, o operador exige que a peça seja mostrada. Portal detector de metais. Ao passar pelo aparelho, materiais metálicos são identificados. Detector de metais manuais. Também chamadas de raquete, o aparelho é aproximado do corpo para tentar identificar metais. Body scan. Utilizado geralmente em presídios, o aparelho faz uma radiografia corporal do vistoriado, ideal para encontrar objetos em partes íntimas.

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