Quadrilha que importou 30 t de pasta-base é desarticulada

Operação da Polícia Federal cumpriu 26 mandados de prisão em Minas e em outros quatro Estados

iG Minas Gerais | bernardo miranda |

Bens. Aviões, apartamentos, casas, fazendas e carros estão entre bens da quadrilha apreendidos
POLICIA FEDERAL / DIVULGAÇÃO
Bens. Aviões, apartamentos, casas, fazendas e carros estão entre bens da quadrilha apreendidos

O Triângulo Mineiro foi nesta quinta, mais uma vez, alvo de uma grande operação da Polícia Federal (PF) contra o tráfico internacional de drogas, reforçando o posto de uma das principais rotas de entrada de cocaína no Brasil. A ação desarticulou uma quadrilha que, em dez anos, transportou 30 toneladas de pasta-base de cocaína da Bolívia e do Paraguai para municípios do Triângulo e do Sul de Goiás. A droga era trazida em aviões que aterrissavam em pistas clandestinas na área rural. Em novembro de 2013, O TEMPO publicou uma série de reportagens que revelaram por que a região se tornou um dos pontos mais estratégicos do tráfico no país.

Chamada de Navajo, a operação desencadeada nesta quinta cumpriu 26 mandados de prisão e 26 de busca e apreensão em Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. Foram identificados ainda dois bolivianos que chefiavam o esquema no país andino. Eles foram denunciados à Interpol (polícia internacional) e agora são considerados foragidos. As investigações duraram um ano e tiveram como ponto inicial recorrentes apreensões de drogas no Triângulo. Em 12 meses, três toneladas foram recolhidas apenas pela Polícia Federal. Dois suspeitos presos já haviam sido detidos anteriormente pela PF, no ano passado, mas acabaram soltos e voltaram a cometer o crime. A quadrilha movimentou ao menos R$ 440 milhões nesse período. De acordo com o delegado-chefe da Polícia Federal de Uberlândia, Carlos Henrique Cotta D'Ângelo, esses recursos foram usados para comprar imóveis que davam apoio ao esquema. Na operação foram sequestrados pelos policiais federais 25 casas e apartamentos e quatro fazendas que estavam em poder dos criminosos. Foram apreendidos ainda U$ 200 mil e R$ 400 mil em espécie, além de 26 veículos (vários de luxo), uma lancha e uma moto aquática. “A ideia é descapitalizar a quadrilha para que familiares e outros membros não tenham recursos para continuar o esquema. Fizemos isso com um grupo de Uberaba, e hoje eles não têm dinheiro nem para pagar advogado”, explica o delegado. Uma entre várias. O delegado Carlos D'Ângelo destacou que a operação desarticula uma das quadrilhas que atuam na região, mas que ela não significa a solução do problema, já que há outros grupos ainda em ação. “Mais uma vez fica claro que o Triângulo Mineiro é porta de entrada da cocaína no país. É preciso ter mais atenção nessa região para reverter essa situação”.

Aeronaves Operação Navajo. O nome está relacionado ao modelo de avião utilizado para transportar a droga. As aeronaves Navajo são bimotores de pequeno porte, o que facilita pousos em pistas clandestinas.

A escolha pelo Triângulo Mineiro Localização. O Triângulo Mineiro geralmente é escolhido pelas quadrilhas de traficantes por causa do relevo e seu posicionamento geográfico – ele está a uma distância compatível com a autonomia de combustível dos aviões usados. Distribuição. Como a região é plana e com grandes áreas rurais, facilita os voos clandestinos. Além disso, o Triângulo fica a uma distância semelhante dos grandes centros, como São Paulo e Rio de Janeiro, o que facilita a distribuição da droga. Pilotos. Para cada voo realizado, os pilotos chegam a receber US$ 80 mil. Os aviões têm capacidade para transportar até 500 kg de pasta-base de cocaína, que chega a valer até R$ 3 milhões no mercado brasileiro.

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