Papa Francisco destitui bispo conservador do Paraguai

A destituição do bispo Rogelio Plano, membro do movimento conservador Opus Dei, destaca a mudança teológica em vigor na igreja sob o comando de Francisco, que não tem demonstrado medo em agir contra bispos conservadores

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Francisco é o 1º papa a visitar uma igreja evangélica pentecostal
Francisco é o 1º papa a visitar uma igreja evangélica pentecostal

O papa Francisco destituiu nesta quinta-feira (25) um bispo conservador de uma diocese paraguaia que havia entrado em confronto com outros bispos e promovido um padre acusado de comportamento sexual inapropriado.

A destituição do bispo Rogelio Ricardo Livieres Plano, membro do movimento conservador Opus Dei, destaca a profunda mudança teológica em vigor na igreja sob o comando de Francisco, que não tem demonstrado medo em agir contra bispos conservadores em nome da manutenção da paz entre os fiéis e a unidade entre os bispos.

Em março, Francisco destituiu Franz-Peter Tebartz-van Elst, chamado "bispo do luxo" de Limbueg, Alemanha, depois de sua nova residência, avaliada em 31 milhões de euros, ter causado tumulto entre os fiéis, que também reclamavam de seus estilo autoritário e conservador.

O Vaticano disse que Francisco tomou a "onerosa" decisão no Paraguai pelo bem da igreja em Ciudad del Este e pela unidade entre os bispos paraguaios.

Livieres foi nomeado bispo de Ciudad del Este em 2004 e imediatamente perturbou os demais bispos paraguaios, mais progressistas, ao abrir seu próprio seminário que seguia uma linha mais ortodoxa do que a principal escola de clérigos da capital, Assunção.

Os bispos paraguaios são conhecidos por suas tendências progressistas num país pobre onde a Teologia da Libertação encontrou terreno fértil.

Livieres também enfureceu defensores de vítimas de abuso sexual ao promover como vigário-geral da diocese o padre argentino Carlos Urrutigoity, considerado "uma séria ameaça aos jovens" por seu antigo superior nos Estados Unidos.

Urrutigoity nega as acusações de comportamento inapropriado, nunca foi indiciado nem é acusado de abusar sexualmente de menores. Em 2004, porém, a diocese de Scranton, na Pensilvânia, encerrou um caso judicial contra ele, outro padre e a diocese com o pagamento de US$ 400 mil. A ação afirmava que os dois homens haviam se envolvido em ações de má conduta sexual, informou o jornal Global Post.