Abastecimento de água é uma ‘loteria’ na cidade de Mariana

Funcionários de autarquia da prefeitura passam dia e noite ligando e desligando todos os registros

iG Minas Gerais | Queila Ariadne |

Em Mariana, os registros são abertos e fechados o dia inteiro
SAAE MARIANA / DIVULGACAO
Em Mariana, os registros são abertos e fechados o dia inteiro

A seca se instalou entre as ladeiras das cidades históricas. Em Mariana, na região central do Estado, nenhum dos 60 mil moradores tem água 24 horas por dia. Desde o início de setembro, o Sistema Autônomo de Água e Esgoto (Saae) da cidade está fazendo um rodízio alternado e o abastecimento virou uma verdadeira loteria: ninguém acorda sabendo se será premiado ao abrir a torneira.

O principal reservatório (Serrinha), na Estação Itacolomy - que fornece água para 60% de Mariana, está operando com 41% da capacidade. Nesse nível, é impossível abastecer a cidade inteira, o tempo todo. Por isso, os funcionários do Saae passam dia e noite ligando e desligando os registros operacionais.

“A estação nunca deixa de mandar água, mas, às vezes, um reservatório fica mais vazio. Então desligamos os registros para desviar o fluxo para onde os níveis estão mais baixos”, explica o diretor executivo do Saae, Valdeci Luiz Fernandes Júnior.

Essas interrupções duram entre 4h e 12h. Quanto mais alta a região da cidade, mais complicado é o abastecimento, que, normalmente, depende de caminhões-pipa. O Saae tem um veículo. Até agosto, trabalhava com outros dois contratados. Em setembro, precisou contratar mais cinco.

José Maria e Margarida Gonçalves moram em um desses bairros mais altos, o Rosário. “A água tem faltado muitas vezes e já tivemos que recorrer ao caminhão-pipa. E não somos avisados sobre quando vai faltar”, conta o casal.

O diretor do Saae explica que não é possível avisar com antecedência, pois os registros são desligados de acordo com a necessidade. “Nós vamos monitorando, se tem mais em um bairro, desligamos por um tempo, para mandar a água para outro. Cada dia falta em algum lugar”, afirma Júnior.

Ouro Preto. Em Ouro Preto, a situação é a mesma. Desde o fim do mês de agosto, a cidade começou a alternar o abastecimento. Diariamente, o fornecimento é interrompido por até seis horas em todos os bairros abastecidos pela principal estação da cidade, que também fica no Parque Estadual Itacolomi. Ela está operando com 30% da capacidade.

Segundo o superintendente executivo do Serviço Municipal de Água e Esgoto (Semae), Wandeir José dos Santos, o sistema já está captando do ‘volume morto’.

“Estamos fazendo mágica para garantir pelo menos um pouco de água para todos os bairros. Tem muita cidade que não está conseguindo isso”, destaca.

As previsões sobre quando o abastecimento será normalizado, só com São Pedro. “Só vai voltar ao normal quando voltar a chover. Não tem água”, destaca Santos.

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