Pesquisa: 62% se interessam pouco ou nada por eleição

Levantamento mostra que a região Sul é a mais interessada

iG Minas Gerais | Larissa Veloso |

Enquanto as pesquisas de intenção de voto tentam revelar quem vai para o segundo turno na eleição presidencial, a maior parte da população brasileira pode não estar sequer prestando atenção nas propostas dos candidatos. Um mapeamento político realizado entre agosto e setembro deste ano pela agência de pesquisas Hello Research revelou que 62% dos entrevistados têm pouco ou nenhum interesse nas eleições de outubro.

Para a pesquisa foram entrevistadas mil pessoas em 70 cidades nas cinco regiões do país. Os entrevistados tinham entre 16 e 70 anos, sendo que os mais velhos foram os que demonstraram mais interesse em comparação com os mais jovens.

Para o cientista político da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas Marco Teixeira, os dados revelam algo que já transparecia na sociedade brasileira “Creio que aí se revelou algo que já vem acontecendo há algum tempo e desencadeou inclusive os protestos de junho. É a chamada crise de representação, quando os políticos não têm mais a capacidade de atender às demandas da população, principalmente essas que são mais urgentes”, avalia o professor.

Os jovens, apontados na pesquisa como os menos interessados em política, estão justamente no centro dessa crise de representação, assim como muitos estiveram presentes nas manifestações de 2013.

Outro dado que chama a atenção é a divisão por região. O Sudeste, uma das regiões mais ricas do Brasil, é justamente onde as pessoas disseram menos se interessar por política. Em primeiro lugar no ranking de interesse, ficou a região Sul. Esses dados também surpreenderam o presidente da Hello Research, Davi Bertoncello. “O Sul historicamente tem uma identificação muito grande com o próprio espaço, existe uma preocupação com o espaço deles, um regionalismo. Então é normal que eles tenham uma preocupação maior com a política”, avalia Bertoncello. “Já no Sudeste, temos grandes Estados governados por partidos de oposição ao governo Federal. É possível que isso leve a um desinteresse pela política”, completa.

Quando a questão é a classe social dos entrevistados, os mais interessados em política são da classe B, com 48% dos entrevistados afirmando ter médio ou muito interesse. Na outra ponta estão as classes D e E que demonstraram o maior nível de desinteresse, com 70% das pessoas não se importando sobre o assunto. Para Marco Teixeira, a questão está ligada ao acesso à informação. “A classe B tem mais interesse porque tem mais acesso a jornais, revistas, tem como se informar melhor”, avalia o cientista político.

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