O mal está na raiz; carece arrancá-la

iG Minas Gerais |

A querela está de volta, e voltará sempre, até desaparecer a causa. Fui e sou contra a reeleição em regime presidencialista exacerbado, que destoa do seu modelo norte-americano. O que George Washington desejava para seu país era a forma republicana de governo a inspirar um sistema presidencialista original, legitimado pelas urnas e por estas renovado e revigorado. Silenciosa a respeito de reeleição, a Constituinte da Filadélfia não a permitiu, nem a vedou expressamente. A aparente indefinição resolveu-se com o próprio exemplo de Washington: aceitou-a, findo o primeiro mandato, para exercer um segundo, mas recusou o terceiro que lhe ofereceram.</CW><CW-30> E assim foi até a Presidência Roosevelt, estratificada como norma pela tradição e pelo costume. Atropelada a regra não escrita pela Grande Depressão de 1929/1930 e pela Segunda Guerra Mundial, o notável político democrata exerceu a Presidência até a morte, no curso do quarto mandato. Era natural. Não raro, a história mundial anotou e registra turbilhões de fogos em escala tão extraordinária que homens e estadistas também extraordinários são inevitavelmente convocados a salvar a humanidade e os seus valores essenciais. Ainda viva a crise econômica dos Estados Unidos, após longo período de tensões, provocações, recuos diante da insânia de Hitler, o covarde pacto russo-germânico, a Segunda Guerra Mundial explodiria em setembro de 1939. Estava claro que a América do Norte teria de entrar. Nesse panorama, Roosevelt teve renovado o mandato pela quarta vez em 1944, falecendo dois anos após a posse. Porém, a vitória aliada estava assegurada. Os norte-americanos, desconfortados com as sucessivas reeleições, fizeram vista grossa, reservando-se para agir tão logo a paz mundial o permitisse. E assim veio a devida emenda constitucional, rapidamente aprovada no Congresso e por todos os Estados da federação, para entronizar uma só reeleição.</CW><CW-30> Bem andou, pois, o senador Aécio Neves ao declarar que, se eleito presidente da República, proporá a extinção do segundo mandato, cuja constitucionalidade é duvidosa, trocando a permissão por um único mandato de cinco anos, em todos os Executivos da federação. Assim, queiram os deuses que possa chegar logo o dia em que não veremos mais nem a dra. Dilma, nem qualquer outro incumbente, na qualidade de postulante a uma reeleição, usando ilegítima e abusivamente instrumentos do poder, tais como o próprio simbolismo de seus rituais, de sua pompa muito além da simplicidade e da austeridade que impõe o primado republicano. É desconcertante o andar marcial da presidente da República, descendo triunfante a rampa monumental do Palácio do Planalto para falar com a turba ignara da imprensa, que S. Exa. detesta porque não lhe reconhece o direito e a responsabilidade de investigar o fato antes de divulgá-lo. Washington, devotado primeiro servidor do Estado norte-americano, demitiu-se e retirou-se para Mount Vernon, às margens do Potomac. “Foi o primeiro na guerra, o primeiro na paz e o primeiro no coração dos seus concidadãos”.

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