Campanha silenciosa

iG Minas Gerais |

A campanha do petista Fernando Pimentel ao governo do Estado, favorito para vencer as eleições ainda no primeiro turno, adotou uma estratégia de avanço silenciosa. Diferentemente de anos anteriores e da tática dos seus adversários, o candidato do PT apostou mais em ações de bastidores, com o amparo de uma equipe técnica, e deixou para o segundo plano o tradicional jeito de fazer política eleitoral, baseado no apoio de padrinhos políticos, na vinculação com o partido, no corpo a corpo com eleitores todos os dias e no discurso inflamado. A estratégia não começou com o início do período eleitoral, em julho. Na verdade, a candidatura de Fernando Pimentel vem sendo trabalhada pelo PT desde 2011, quando o ex-prefeito de Belo Horizonte assumiu o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do governo Dilma. Desde então, a inserção do nome de Pimentel, principalmente no interior do Estado, foi gestada de forma gradual. A maior proximidade da presidente Dilma com os prefeitos mineiros, muitas vezes com o então ministro a tiracolo, também foi decisiva para a consolidação do projeto de candidatura ao governo mineiro. Em 2013 e nos primeiros meses deste ano, foram inúmeras as agendas da petista ao lado de Pimentel em municípios de Minas para distribuir máquinas agrícolas e participar da formatura de turmas do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec). E, quando se desvinculou do ministério, em fevereiro de 2014, mesmo ainda sem se assumir como candidato, Pimentel manteve a atuação no interior do Estado, fazendo palestras em associações comerciais ou se reunindo com prefeitos e parlamentares.  A estratégia de fazer pouco barulho se manteve com a oficialização da candidatura. O ex-ministro se desvinculou da imagem tradicional de um candidato do PT. Tirou o vermelho do partido de suas peças eleitorais, não recorreu aos feitos do governo federal para promover sua propaganda e, dos figurões do partido, só apareceu em campanha por Minas ao lado de Dilma e Lula, mesmo assim em quantidades bem menores que o ocorrido em outras ocasiões e também que o esperado. Chegou até a ser acusado por dirigentes nacionais do PT de estar colaborando pouco com a campanha à reeleição de Dilma no Estado. Separado e com uma nova companheira, Pimentel também blindou sua vida pessoal. Do seu comitê, vazam poucas informações e não se tem notícias de crises ou discussões, ao contrário do lado tucano, no qual o fogo amigo e a exposição excessiva dos problemas são recorrentes. O petista importou profissionais de outros Estados para sua equipe e ainda conta com um grupo “invisível” para percorrer o interior do Estado e fazer campanha em cidades administradas por prefeitos adversários. Caso se confirmem as pesquisas, a tática silenciosa de Pimentel se tornará um bom case eleitoral. 

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