Astrônomos acham vapor d'água em planeta pequeno fora do Sistema Solar

Conhecido pela sigla HAT-P-11b, o planeta orbita uma estrela um pouco menor que o Sol a 122 anos-luz de distância, na constelação do Cisne

iG Minas Gerais | Da Redação |

Combinando observações de três diferentes telescópios espaciais, astrônomos conseguiram pela primeira vez detectar vapor d'água na atmosfera de um planeta de porte relativamente pequeno fora do Sistema Solar.

Ainda não tão diminuto quanto a Terra, mas bem menor que gigantes gasosos como Júpiter -os únicos até então a ter sua composição atmosférica estudada. Conhecido pela sigla HAT-P-11b, o planeta orbita uma estrela um pouco menor que o Sol a 122 anos-luz de distância, na constelação do Cisne.

Ele tem o tamanho aproximado de Netuno e foi investigado pelos cientistas usando os telescópios Hubble, Spitzer e Kepler. Os dois primeiros tinham por objetivo captar a luz emanada da estrela que passasse de raspão pela atmosfera do planeta, carregando consigo a "assinatura" de sua composição química.

Já os dados do Kepler permitiram estudar especificamente o brilho da estrela, para se certificar de que qualquer medição feita fosse mesmo do planeta, e não proveniente de manchas solares. Eis que, com isso, surgiu a assinatura clara da presença de água, assim como de vastas quantidades de hidrogênio, na alta atmosfera de HAT-P-11b.

Detecção Difícil

Tentativas anteriores de medir a atmosfera de exoplanetas pequenos já haviam sido feitas pelo mesmo grupo, mas em todos os casos acabaram frustradas pela presença de nuvens na alta atmosfera, que impediram qualquer detecção. "A descoberta mais significativa da nossa pesquisa é que de fato achamos uma atmosfera limpa [sem nuvens] num exoplaneta pequeno", disse Jonathan Fraine, da Universidade de Maryland, primeiro autor do trabalho publicado na revista "Nature". Muito próximo de sua estrela e gasoso como Netuno, o HAT-P-11b é quente demais, inadequado para a presença de vida como a conhecemos.

Contudo, o achado mostra que os cientistas estão num bom caminho para encontrar planetas que tenham temperaturas mais amenas e suficiente quantidade de água para suportar uma biosfera similar à terrestre. "A busca pela Terra 2.0 pode estar no futuro distante, mas pelo menos sabemos que o trem está nos trilhos certos", diz Fraine.

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