Em relatório ao MP, PM sugere a dissolução de torcidas organizadas

Corporação entregou documento ao Ministério Público nesta quarta-feira e pediu o fim das uniformizadas envolvidas em ocorrências do clássico

iG Minas Gerais | THIAGO NOGUEIRA |

Nas arquibancadas do clássico, Polícia Militar precisou intervir para evitar confronto entre torcedores
JOÃO GODINHO/OTEMPO
Nas arquibancadas do clássico, Polícia Militar precisou intervir para evitar confronto entre torcedores

A Polícia Militar entregou ao Ministério Público, na tarde desta quarta-feira, um relatório de 13 páginas com o detalhamento de todas as ocorrências do clássico do último domingo. O foco foi o monitoramento das torcidas uniformizadas. No documento, a corporação sugere a dissolução das organizadas Pavilhão Independente e Máfia Azul, do Cruzeiro, e Galoucura, do Atlético.

“Entendemos que houve a prática de vários crimes, inclusive, com eventual formação de quadrilha. Sugerimos o apoio do Ministério Público, que faça uma reunião com os envolvidos, que oriente o cadastramento do ingresso na hora da compra. Estamos pedindo a dissolução de todas as torcidas envolvidas nessa situação”, afirmou o coronel Ricardo Machado, chefe do Comando de Policiamento Especializado (CPE).

No relatório ao MP, a PM cita diversas intervenções realizadas ao longo do dia, quase todas instigadas pela ira entre os rivais (confira abaixo um resumo dos fatos). Além das ocorrências já divulgadas, como a dos atleticanos baleados no centro e das latas e copos atirados no ônibus da delegação do Galo, uma outra chamou a atenção.

Dezoito minutos antes do início do jogo, integrantes da Galoucura realizaram o chamado “cavalo doido”, ação que consiste em entrar no estádio em grupo, forçando a passagem nas áreas de triagem e nas catracas. A PM conseguiu conter cerca de 400 pessoas, mas alguns passaram pela tropa e acessam o estádio. Essa prática favorece, por exemplo, a entrada de objetos perigosos e materiais explosivos.

As ocorrências do relatório da PM para o Ministério Público(*):

11h – A Polícia Militar monitora integrantes da Galoucura no bairro Padre Eustáquio. De lá, a torcida seguiria para o embarque dos ônibus na avenida do Contorno rumo ao Mineirão. Mas, ao invés de irem direto, os atleticanos resolvem passar em frente a sede da torcida cruzeirense Pavilhão Independente, próximo ao local, descumprindo uma orientação da PM.

11h31 – Na sede da torcida Pavilhão, o comportamento hostil de torcedores exige a atuação da PM.

12h44 – Na avenida Pedro II, torcedores do Atlético agredem um cruzeirense. Houve a tentativa de arrastão em uma padaria, que foi contida por policiais

13h – Uma bomba-garrafão é apreendida com um menor na sede da Galoucura.

13h28 – Um integrante da Pavilhão Independente é preso por estourar rojões na sede da torcida.

13h35 – Na avenida Cristiano Machado, briga generalizada entre os próprios integrantes da Galoucura obriga a intervenção da polícia com o uso de balas de borracha. Um preso.

13h57 – Um integrante da torcida Máfia Azul é preso no bairro São João Batista com quatro artefatos explosivos.

14h – Integrante da Galoucura é preso com 22 rojões no bairro Lagoinha

14h16 – Cruzeirenses atiram latas e copos no ônibus dos jogadores do Atlético que chegava ao Mineirão.

14h25 – Quatro torcedores do Atlético baleados na avenida do Contorno, no centro.

14h40 – Confronto entre cruzeirenses e atleticanos no entorno do estádio com nova ação de repressão da Polícia Militar.

15h16 – Um atleticano é preso por agredir uma mulher.

15h42 – Em grupo, torcedores da Galoucura tentam avançar pelas áreas de revista e de catraca. Cerca de 400 pessoas foram contidas pela PM, mas parte dos torcedores conseguiu entrar no estádio.

15h47 – Chegada de bandeiras e instrumentos da organizada minutos antes do jogo descumpre acordo com a polícia e causa transtorno.

16h36 – Confronto generalizado entre atleticanos e cruzeirenses no anel superior. Polícia Militar reage com duas bombas, uma de efeito moral e outra de luz e som.

16h44 – Briga entre torcedores de Atlético e Cruzeiro em um dos camarotes do estádio. Situação contornada pelos seguranças privados.

16h50 – No intervalo da partida, atleticanos e cruzeirenses vão para o perímetro dos bares em busca de conflito. Grades de separação são destruídas.

(*) Com foco na atuação das torcidas organizadas. Informações cedidas pela Polícia Militar.

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